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merda no sapato

terça-feira, julho 17, 2007

O Senhor Javali

Olvidar senhor Javali é coisa que não me passa pelos planos. Senhor Javali era musculoso, ágil, inteligente e tenaz. Há quem diga que já nos seus tempos de juventude lia Kierkegaard, Nietchze, Voltaire e Baudelaire. E quando o fazia, fazia-o com savoir-faire.
Apesar de culto e de uma ostentada e reconhecida nobilidade, possuia pêlos escuros e agrestes espalhados caoticamente por todo o corpo, fazendo-o parecer um simples vulgo pacóvio e de uma pequena aldeia.
Se não se lhe sentia penugem era porque não era um pássaro - pensava e bem quem o dizia, pensa ainda e bem quem voltou a pensar mais afincadamente sobre o assunto.

O Senhor javali tinha um problema, era um javali e não um senhor. As pessoas que lhe chamavam dessa forma eram estúpidas, pois não conseguiam distinguir um javali de um homem.
Uma dessas pessoas, o tipo que me contou esta história foi internado num hospital psiquiátrico. Para minha felicidade está lá há 4 meses e não parece sair tão cedo. Não que isso seja chamado para o caso, mas actualmente tenho sexo com as três irmãs dele, e dantes era ele que tomava conta do assunto, isto apesar de vagamente me fazerem lembrar canos de escape, nas alturas em que enfio nos óculos a cara.
Mas é do Senhor Javali que venho falar.
O Senhor javali apesar de tão somente ser um javali tinha hábitos comuns aos mais comuns dos homens comuns que eram parecidos com javalis comuns. Talvez seja essa a confusão. Apesar de paradoxalmente partilhar com os restantes, algumas das mais essênciais e ancestrais particularidades, entre quais necessidades básicas da alimentação e procriação o Javali, tal como o Senhor Javali, é um animal incomum e diferente de um homem.
A palavra Javali deriva do árabe, língua de um povo sábio e sincero que fazendo largas à sua, por vezes, grande estupidez o cataloga como porco montanhês. No meu último estudo estive na Serra, muitos porcos vi e nenhum deles era javali, mas sim gente pobre, humilde e badalhoca como qualquer outra qualquer que por um motivo ou por outro não toma banho. Não gosto das definições minimalistas do povo árabe, isto apesar dos vários méritos de algumas das suas descobertas científicas.
Os javalis são javalis e os porcos da montanha são porcos da montanha.
Dizem que a solidão ensandece. Foi este motivo que me levou a estudar gentes serranos do campo, e foi esse o motivo que colateralmente me levou a conhecer javalis, animal nobre, ligeiramente sujo por baixo e distinto das gentes ermitas do campo. Tudo ocorreu por altura de uma briga com o chefe de família que na altura me acolhia na sua casa por altura das minhas investigações. Era um filho único de um único pai falecido, um pai de família sem filhos, solteiro e mau rapaz.
As intermitências e o corromper dos meus planos e o correr do tempo obrigou-me a fugir para esverdeadas vegetações vizinhas. E foi aí para meu gáudio que passei a mais selvagem e quente noite da minha vida, juntamente com Senhor Javali. É esse o motivo que me leva com tanto conhecimento de causa a falar dessa espécie, essa espécie que tanto louvor me suscita.
O javali passa grande parte do dia fossando a terra em busca de plantas e animais, e torna-se furioso quando perturbado. Tem uma cabeça relativamente grande, triangular, e boca provida de grandes e brancos caninos. É um animal omnívoro, com preferência por vegetais. Pesa entre 130 e 200 kg e mede entre 125 e 180 cm de comprimento para cerca de 100 cm de altura. O tempo de vida médio é de cerca de 20 anos.
Após a satisfação sexual agradece esvaziando o intestino com um portento de 5 a 10 kgs de excremento em cima do seu parceiro. Pelo menos é o que gosto de pensar, pelo menos depois de ter bebido aquelas 4 garrafas de brandy e agora que tenho este novo andar.

terça-feira, abril 24, 2007

Modas

Num anseio de estar mais na moda e mais de acordo com os padrões de comportamento da maioria, e numa tentativa de tentar agradar mais a minha amada, mudei um pouco de estilo de roupa. Calças de ganga para começar. A decisão foi um bocado difícil, principalmente porque todas as que via pareciam ser oriundas da Indonésia da fase pós-Tsunami. Quase todas estavam rotas ou esburacadas. Aquilo fez-me uma enorme confusão e estive inclusivamente para ligar à DECO, mas quando marquei o 118 a perguntar o número, a mulher do atendimento insultou-me e disse que a DECO não era uma DECO, mas sim um DECO, e que não tinha acesso a números de Espanha, muito menos de jogadores de futebol.
Já a empregada apesar de também nunca ter ouvido das instituição pediu-me para não agir de forma impulsiva e acalmar a minha raiva. Segundo ela esta é a nova tendência entre os jovens e não estava a ser uma charlatã. Acalmei-me ao ver os homens na loja e a forma como se vestiam, mas confesso que a sensação de estranheza não se dissipou.
Sinceramente acho que este novo movimento se deve à fúria do anúncio da Coca-Cola Light. Os trolhas ao que parece têm uma vida sexual activa. Ser constructor civil é Kitsch e acho que até consigo prever a próxima tendência: Calças borradas com tinta e nódoas, a maior parte aparentando ser esperma.
Eu já estou a tratar disso. Gosto de estar à frente de tudo.

Pois, mas se calhar não é bem assim

Às vezes ponho-me a pensar como seria se não pensasse, e é nessas alturas que penso que talvez fosse melhor parar de pensar em coisas estúpidas. Mas, o que é verdade é que se eu não pensasse vocês não estariam a ler o que estou a escrever. Eu parto do princípio que se vieram para aqui ler o que vim escrever é porque querem saber no que eu estou a pensar. E, mais uma vez, se querem saber no que eu estou a pensar é porque já estão cansados de pensar por vocês próprios, ou não têm nada de interessante para fazer.
Acho que o problema se resolveria simplesmente se nos limitassemos a não pensar. É por isso que acho que tanto eu como vocês são estúpidos.
Era só para dizer isto.

sexta-feira, abril 13, 2007

Ora bem,


O que se passou nestes últimos dias? Tanta coisa e tão coisa nenhuma! Sócrates viu a sua credibilidade ser posta em causa por causa do diploma universitário, ou como vocês lhe quiserem chamar. O motivo quase toda a gente o sabe, assim como certamente saberão que Sócrates dificilmente será o único político em condições semelhantes. Não me refiro ao penteado lindo, mas sim a burla e a compra de cadeiras da faculdade.
A corrupção e o amiguismo são uma modalidade desportiva dos tempos modernos, que tal como as modalidades desportivas, têm regras a ser quebradas. Quem estuda ou estudou no ensino superior certamente conhece o sistema "lambe-botas" que funciona por detrás das notas. Isso e o sistema de grau de parentesco, e até o do favorecimento sexual. É um longo processo que se arrasta até ao mundo profissional. Sinceramente, desconfio que das poucas pessoas que não passaram por ele terá sido a Odete Santos. Isto mesmo apesar de ela ter querido se partilhar a si mesma qual boa comuna.
Chamam-me muitas vezes pessimista. De facto sou pessimista, mas os meus detractores enganam-se na escolha da palavra. Quando me chamam pessimista chamam-me por eu ser péssimo, mas o adjectivo está errado e não é isso que ele significa. O objectivo está correcto, mas o adjectivo não. Devia dar-me com gente mais culta. De qualquer forma confesso que sou pessimista. O mundo em que vivemos está cada vez mais estranho. Pareço ver uma onda com uma tendência cada vez mais descendente. Eu sei que não devia estar a escrever este texto no mar, até porque estou a apanhar alguns choques eléctricos, mas isto é bom para despertar a mente. Não consigo deixar de me tentar por estas modernices do wireless e aposto que esse foi igualmente o espírito dos soldados britânicos na sua visita às águas territoriais do Irão. Eles não conseguíram deixar de ceder à tentação de estarem na água dentro de um barco. É simplesmente genial: um barco dentro do mar. Quem se iria lembrar de tal coisa? Estes Ingleses...
É uma experiência enriquecedora navegar em águas radioactivas povoadas por peixes que consoante o vento se tornam ora vermelhos, ora azuis. No entanto, ninguém me convence que tudo isto não passou de uma jogada de Tony Blair. Um plano sádico de atirar os peixinhos aos tubarões, de forma a serem capturados e de preferência comidos a sangue frio. Seria uma óptima forma de despoletar mais ainda a raiva e o medo ao povo Persa, para que de seguida se os Ingleses os pudessem atacar.
Enfim. Tirando isso a minha Páscoa correu bem, foi pena foi ter acabado tão cedo. Dificilmente algum dia me irei esquecer desta Páscoa. O motivo pelo o qual não me irei esquecer talvez seja o de todos os anos ter feito exactamente a mesma coisa, mas o que é verdade é que aquele Barbecue na sexta-feira santa e aquela sessão de cinema no domingo em minha casa onde eu e os meus amigos vimos “A vida de Brian” dos Monty Python, foram daquele tipo de momentos em que uma pessoa se sente bem e se sente acompanhada nesta constante estranheza a que chamam de vida.
Nunca em tempo algum desejei tanto ser caçador. Um caçador de coelhos, de preferência. Ou então de pessoas, também serve. Faz-me confusão o que é que coelhos têm a ver com a festividade da Páscoa, e faz-me confusão o chocolate, os restaurantes e a própria cerimónia em si, que mais não deveria ser do que uma actividade pagã, como inicialmente o era no passado distante - uma devoção ao sol, esse deus tão grande e tão brilhante que custava só de olhar para ele - talvez o mesmo deus que aparecera diante de Moisés no Monte Sinai, aquele a quem ele preferira nem sequer mirar (talvez para não ficar cego e definitivamente louco, tendo em conta que já lhe bastaria ouvir vozes na cabeça.)
A religião cristã acredita na vida depois da morte, acredita na ressurreição, tal como aconteceu com Cristo. Acho bom que isso aconteça, pois é a melhor forma de lidarmos com os nossos problemas quando estamos em fases más, e a melhor forma de ganharmos fé e esperança até que as coisas voltem a ficar de feição.
A crença na transcendência, de certa forma, revela um pouco a surrealidade com que vivemos os nossos dias. Sendo a ficção geralmente muito mais fantástica que a realidade, não creio que de alguma forma possa ser mau acreditar-se na vida depois da morte. Pelo menos para pessoas não-suicidas. Hoje, ao contrário da lógica que um raciocínio normal ditaria, ninguém se acredita na morte depois da vida, hoje acredita-se na vida depois da morte e é talvez por isso que temos sido tão inconscientes e tão egoístas nos últimos tempos. Deve ser por isso que violamos tratados de Quioto e poluímos o mundo como se um gigantesco aterro sanitário se tratasse.
No domingo saí com os meus pais, algo que já não fazia há algum tempo. Fui ao Porto. Gostei, vi algumas pessoas com dentes. Talvez a única coisa má que me lembro foi o mau tempo. Num espaço de dois dias foi do frio, para o calor infernal, do céu descoberto para o céu nublado para chuvas quase torrenciais. Terá S. António, advogado e senhor do tempo, tido a intenção de se revelar democrático na distribuição das situações climáticas, consoante gostos de cada um? Ou estará o mundo a acabar? Sim, deve ser isso. E já agora, obrigado, senhor.
Não vejam em mim um espírito suicida, mas antes uma vontade solidária para quem tem um espírito suicida, e uma ténue e subtil esperança de encontrar uma melhor vida num estado existencial embutido de transcendência.

terça-feira, abril 03, 2007

"Ai Portugal, Portugal... de que é que estás à espera?"

Esqueço-me sempre do que vinha para aqui escrever... últimamente não tem havido muitos temas interessantes para falar. Sou sempre obrigado a discursar sobre as minhas cócegas no escroto e isso normalmente cria um sentimento de repulsa e desconfiança dos outros para comigo. Como devem saber, o meu sonho sempre foi ser escritor, quer dizer, sempre, a partir do momento em que tive essa ideia. É uma ideia estúpida, tal como muitas outras, em Portugal, em que o único trabalho que à nascença temos garantido é o de arrumador de carros.
Em Portugal arrumador de carros, é carreira garantida. O dinheiro que se pode obter com a actividade é muitas vezes superior ao ordenado mínimo e há ainda a vantagem de não se ter de aturar patrões nem realizar um esforço por aí além.
Admira-me que não haja um curso superior da arte da arrumação dos carros, quando existem tantos cursos desnecessários no país. Aqueles tiques gestuais, o jornalinho na mão, os gestos oscilatórios, metódicos, ora destorcendo para a direita ora destorcendo para a esquerda, necessitavam de ser ensinados, é uma enorme falta de respeito para com uma actividade tão nobre. Com a confusão nos estacionamentos não podemos dar-nos ao luxo de dispendermos destes serviços.
Queria propôr à Universidade Independente, que tem sido tão clarividente e tão boa a formar trolhas e primeiros-ministros e por vezes até os dois ao mesmo tempo, que comece a leccionar o curso. Mas por favor, não leiam aqui um tom de desprezo no meu texto, não tenho nada contra os trolhas, tenho tudo a favor dos trolhas, e reparem que digo trolhas em vez de constructores civís, o que não gosto particularmente é de primeiros-ministros. Eles não se sabem governar a si mesmos, quanto mais a um país, é só falsas promessas, contradições, estúpidas construcções.
O nosso país está podre a todos os níveis, Portugal está cheio de escritores, cheio de Margaridas Rebelo Pinto, políticos, gente com tachos, com tréns de cozinha, gente sem ideias, ou só com a ideia fixa, em cabeças provavelmente fixas com rascas colas, de ganhar dinheiro, mais dinheiro e mais dinheiro.
Portugal não passa de um importador, Portugal está cheio de escritores, guionistas, cantores que copiam ideias de outros, programas de televisão e novelas espanholas, brasileiras. Conteúdos sem nada de novo, iguais a outros, a horas a iguais às outras. O nosso país é como um papel químico de má qualidade do que de mais hediondo se faz lá fora. Tirando alguns exemplos refrescantes, tudo o resto é um longo e extenuante deserto. Marrocos é já ali ao lado e ao menos eles têm tapetes bonitos.

quarta-feira, março 28, 2007

Prince e Jesus

Várias semelhanças entre estes dois homens. Ambos se parecem com mulheres, ambos aparentam ser sensíveis, ambos são idoletrados, e ambos são conhecidos por um símbolo. Jesus assume nos tempos de hoje a forma de uma cruz, Prince, é conhecido por uma cruz. As verdadeiras grandes diferenças entre os dois está talvez no facto de que um se sacrificara pela humanidade, e o outro levara a que muitas pessoas sacrificassem e mutilassem os seus próprios ouvidos, por vezes, até as próprias vidas, para não terem de o ouvir.

quarta-feira, março 14, 2007

Algumas coisas que muitas pessoas não sabem





sábado, março 03, 2007

Solipsismo


Um recluso da prisão de Paços de Ferreira está em regime de solitária há 482 dias, informa o DN. O director e os guardas não devem gostar muito de companhia. Ou isso, ou o recluso recusou-se a entrar nas festas gays lá do sítio. Devem ser pessoas ciumentas. Acho estranho os cacetetes não chegarem a esta gente. Mas pronto, pode ser que Frederico Rodrigues, o detido, após sair da solitária, mostre que superou tudo isto ao tornar-se num monge budista.

Contra a proibição

A Associação de Restaurantes está contra a proibição de fumar nos estabelecimentos de restauração. Toda a gente sabe que o único motivo que leva alguém a frequentar um restaurante é para poder fumar. De facto, era de um terrível mau-senso acabar-se, só por causa da saúde das pessoas, com a nossa tradição que torna todos os nossos alimentos em espécie de fumados. Onde é que o mundo vai parar? Daqui a pouco já nem podemos obrar na via pública. Onde está a Humanidade disto?

quinta-feira, março 01, 2007


Há dias em que nem temos de nos esforçar muito para fazer uma piada. Isto são dados da Associação Fonográfica Portuguesa referentes aos dez álbuns mais vendidos durante a 9ª semana de 2007:

1. "A Vida Que Eu Escolhi", Tony Carreira
2. "Acústico", André Sardet
3. "The Confessions Tour", Madonna
4. "Loose", Nelly Furtado
5. "Zeca Afonso", Zeca Afonso
6. "Siempre", Il Divo
7. "Not Too Late", Norah Jones
8. "4 Taste", 4 Taste
9. "Mickael", Mickael Carreira
10. "Os Pintainhos", Os Pintainhos

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

O Homem que só apanhava a TVI


O Homem que só apanhava a TVI era um Homem soturno e infeliz que gritava e gemia ao som da programação. Seu sonho era assassinar João Cléber, mas ele nunca tinha muito tempo para pensar nisso enquanto se masturbava a contemplar as chamadas actrizes do programa. Às vezes uivava. Ao início, seus dias eram passados de forma entediante e nervosa enquanto remoía com dedos e dentes de cão aquilo que ainda restava do seu comando preto comprado na loja dos Chineses, porém lá haveria por se habituar.

O Homem que só apanhava a TVI era algo suicída no trato e ele nunca na vida pensara escapar ileso a uma loja chinesa. Dessa forma, fora com uma profunda sensação de desconforto que se aparcebera à saída que nenhum lhe retirara algum dos seus já putrefactos órgãos. Ele tinha um órgão lá em casa e ele tocava música, mas isso, bem vistas as coisas não faz muito sentido agora. Era importante delinear o essencial: o canal não mudava, o canal não mudava e era isso que o apoquentava, sempre o mesmo, e o mesmo era sempre, sempre a TVI. Dias e dias. Dias seguidos, anos e anos e anos volvidos.

O Homem que só apanhava a TVI era um Homem, mas o Homem que só apanhava a TVI não era um Homem qualquer. O Homem que só apanhava a TVI tinha roupas modernas e sobre a pele resquícios de brilhantina que não o incomodavam demasiado nas alturas em que dava portentosas cambalhotas para trás enquanto cantava êxitos musicais cujos temas percorriam desde as noites de verão a saltar à corda, às miúdas do liceu até às chiclettes gorilla. E que bem que ele cantava, e que bem que ele tirava macacos do nariz. O Homem que só apanhava a TVI era um homem informado, sabia variadissimas coisas e nunca se esquecera daquela vez em que uma vez na televisão ouvira falar da existência de dias e de noites. Era impressionante, pensava para ele mesmo, tanto haviam os dias como haviam as noites. As garinas gostavam de sair à noite, e à noite o seu pénis poderia muito bem ser como que a chave que abre os mais belos cofres uterinos. Por vezes esses cofres uterinos eram abertos também pelos seus amigos, mas os seus amigos tinham uma banda de punk e tinham o penteado muito fixe.

O Homem que só apanhava a TVI eventualmente se tornou num Homem como um outro qualquer e se fartou de ver a TVI e foi por isso que se imolara no próprio prédio, queimando juntamente com ele todos os Homens como outros quaisqueres e todos os Homens diferentes dos outros quaisqueres. Ele estava feliz, a TVI não dava no Inferno.

Estações da polícia ameaçadas pelo Governo


"Os postos e esquadras das forças policiais de dimensão reduzida poderão ter os dias contados no próximo modelo de Segurança Interna, cujas linhas mestras são hoje apresentadas por José Sócrates no Parlamento." diz o Correio da Manhã de hoje. Ao que eu pergunto: Depois de encerrarem as maternidades, depois de fecharem as urgências, depois de privatizarem a GALP e a EDP, e agora com o encerramento de postos e esquadras da polícia o que se seguirá? Passará a política de racionalização de José Sócrates por acabar com as próprias pessoas de Portugal? E encerrar o país? Dramatizar talvez, mas é o que se advinha, pois sem a polícia o mais certo é instalar-se uma anarquia e a população ver-se obrigada a fazer justiça pelas suas próprias mãos, enchadas, machados e moto-serras. Na verdade até não era tão mau assim, sempre se poupava uns trocos para dimínuir a dívida pública e a Europa olhava-nos com melhores olhos. Vender Sócrates, creio também ser uma ideia a ponderar. É pena é ele não se parecer mais com uma brasileira, que assim provavelmente até seria retalhado por um preço bastante significativo.

A realidade é real?


A pedido da minha professora de atelier de jornalismo li este artigo de opinião do Pedro Rolo Duarte, que ilustra bem como funciona a chamada democracia, ou dissimulocracia, como quiseram. Dá que pensar, e só não o percebe quem não pensa. Eu por acaso penso, é uma coisa que me acompanha quase desde miúdo, e às vezes penso para mim mesmo que o termo democracia não derivará tanto das palavras gregas referentes a povo e administração, "demo" e "cracia", respectivamente, mas sim de Demónio e manipulação.

O importante hoje na política não é tornar as pessoas livres, mas sim sim levá-las a pensar que o são.

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Ninguém imagina

Ninguém imagina como se deve jogar futebol. Apesar de as equipas portuguesas se terem dado bem e se terem exibido a um nível muito razoável nas competições europeias nos últimos dias, à excepção do Porto, que pouco mais poderia fazer do que um empate face ao poderoso Chelsea de Mourinho, após vermos este miúdo de 12 anos a jogar à bola, começamos a desvalorizar um bocado o facto. Há quem diga que neste momento o Cristiano Ronaldo é o melhor do mundo e isso é verdadeiramente notável tendo em conta a sua idade... Mas quem o afirma não sabe concerteza do que fala. Este puto, este puto na verdadeira acepção da palavra, é mil vezes melhor. Mil vezes melhor. Provavelmente é chicoteado em casa quando erra alguma jogada, ou tem um laboratório onde inventara uma nova droga, pelo menos a avaliar pela perfeição com que domina o esférico. A imprensa chama-o rato de Laboratório, suspeitando da sua qualidade exacerbada, mas eu prefiro utilizar a expressão máquina sob o efeito de psicotrópicos. É estúpido, mas eu também nunca disse que era o contrário. Nikon, tem nome de máquina fotográfica e foi contratado pelo Schalke 04 da Alemanha ao Valência, onde ganha, imagine-se, 25000 dólares. Nikon Jevtic. Registem.

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

Como se tornar num intelectual em 20 dias

AVISO:
Antes de mais convém frisar que os intelectuais por norma, não têm sexo para além de com as suas mãos. E quando assim é, de preferência praticam o acto bem longe de olhares curiosos, nas mãos envergando luvas brancas e estudando metodicamente a realização de todo o processo. Nesse sentido, antes de efectuar qualquer um destes procedimentos, certifique-se de que não consegue mesmo ter sexo, o que quer que faça em relação a isso, e só de seguida siga os parâmetros necessários. Escusado será dizer que o ritual não tem retorno, e que o não seguimento à regra dos cânones básicos poderá originar o entorpecimento temporário ou até definitivo da mente e do espírito. O blog não se responsabiliza pelos possíveis danos causados. Recorde-se que é uma opção sua e só sua.

PROCEDIMENTOS:

Roupa e aspecto
Um intelectual deve vestir-se em concordância com a sua superioridade intelectual: gabardina/casacos de tweed/camisas, e calças de bombazine; seda ou malha em falta de alguma destas duas. Tal como a parte cimeira da idumentária as calças deverão ter um ar descontraído, embora clássico. Preferencialmente deverão ser escuras e de marcas caras. Ter barba é intelectual e acariciá-la também. O cabelo de preferência terá de ser grisalho. Se você é jovem o melhor é comprar tinta para o efeito. Rugas também são bem-vindas e estas podem ser obtidas ziguezagueando e trespassando com um canivete suiço a pele da sua cara. Passadas duas semanas os resultados serão notáveis.

Espólio de tiques nervosos
Um bom intelectual tem o hábito de usar óculos e de os limpar inúmeras vezes, de preferência com um ar filosófico e alheado em relação ao resto do mundo. Um intelectual põe várias vezes a mão sobre o queixo acenando a cabeça em sinal de profunda introspecção e de concordância consigo próprio. Um intelectual concorda sempre consigo próprio. Mesmo que não esteja a pensar um intelectual deve parece que sim. Coçar o pescoço enquanto se desfoca o olhar, a par de gestos oscilatórios lentos acariciando o cabelo também costumam ser gestos eficazes, não esquecendo, obviamente, o piscar compulsivo dos olhos e o deitar de quando em vez a língua ligeiramente para fora.

Ludicidade
Os intelectuais devem, para assim o serem, para constituírem a amalgama essencial da sua sui generiedade, frequentar cafés ou bares onde se ouça música jazz, clássica, lounge, e bossa nova, sendo estas duas últimas hipóteses já um tanto radicais. No momento em que se ouve música clássica poderá ganhar-se uns pontos adicionais caso se abane as mãos como um maestro. Para a esquerda e para a direita é o recomendado, já que para baixo e para cima poderá não ser muito subtil.
No meio intelectual não há grande distinção entre espaço lúdico e laboral, logo o melhor mesmo é não aproveitar os tempos livres e assistir compulsivamente a sessões de leitura, debates e tortuosas tertúlias (não confundir com tartarugas). Idas a museus de arte contemporânea e clássica também são bem-vindos, assim como fumar cigarrilhas ou cachimbo enquanto se bebe whiskey (scotch), gin, ou água tónica. Um bom intelectual deve ter algumas colectâneas de cd`s de World Music, e artistas completamente desconhecidos. Os hábitos de leitura devem ser consistentes. Caso não goste de ler, compre mesmo assim uma panóplia de livros e uma estante de carvalho ou de uma qualquer madeira brilhante, já que deverá bastar saber os nomes deles e fazer declarações abstractas sobre eles. Na literatura os clássicos deverão estar em primeiro plano. Homero, Shakespeare, Cervantes e Honoré de Balzac são algumas referências. Tente decorar uma outra frase destes livros e cite-as assim que achar oportuno. Mesmo que não encontre um momento oportuno não tem importância, pois ninguém reparará nisso e julgará por de trás das suas declarações existir um sentido mágico e oculto, quase como se você fosse um curandeiro dos tempos modernos. A colecção de filmes e o seu visionamento deverá cingir-se a obras de cineastas desconhecidos, ou de cinema alternativo; Kusturica e Almodovar são alguns exemplos, assim como de cinema indiano, coreano, grego e polaco. Um intelectual não vê pornografia, na pior das hipóteses vê erotismo e fica perplexo com a complexidade e beleza artística do acto sexual perceptido pelas câmaras. Uma mulher e um homem nunca são "todos bons", mas sim provocam um estado libidinoso e uma atracção corporal quase incontrolável. A sensualidade é algo importante para um intelectual, principalmente para a deixar de lado no seu dia-a-dia.

Conduta
A maior parte dos intelectuais são de esquerda ou muito ricos. A primeira hipótese é bem mais fácil e é a opção recomendada a um intelectual ainda em iniciação. O intelectual deve tentar produzir arte. Qualquer coisa é passível de ser denominada de arte no meio intelectual, desde que o seu significado não possa ser entendido claramente. Nesse sentido, os poios sobre o azulejo da sua sanita já mais não serão inúteis. Assine . O mais importante é assinar. Um outro segredo deverá ser considerar o seu pior trabalho a sua obra-prima. Toda a gente se irá acreditar. Outra ferramenta importante para um intelectual é a retórica e essa deve usá-la de uma forma eloquente. Não importa que diga coisas parvas, desde que estas sejam ditas com palavras complicadas, raras e com muitos R`s. Para esse efeito pegue num dicionário espesso e assinale palavras estranhas, a seguir decore-as. O seu sentido não é muito importante, o mais importante é saber dizê-las e escrevê-las correctamente. Crie um blog ou um FotoBlog e use estas palavras estranhas ou fotografe coisas que era incapaz de olhar durante mais de um milésimo de segundo. Se assim o fizer, é arte de génio. Envie faxes aos seus amigos mencionando coisas sem sentido sobre coisas aparentemente simples. Crie várias contas de e-mail, mas use apenas uma delas. Compre três jornais diferentes por dia. Os jornais e revistas comprados deverão ser jornais de referência tais como o Público, o DN, o Expresso e a Visão, O Observer de Inglaterra e o New York Times dos Estados Unidos. O "Liberation" está no topo da hierarquia intelectual, mas só deverá ser comprado após alguma experiência no interior da existência intelectual. Disponha todos os folhetins da imprensa em cima da sua secretária. Um intelectual janta em restaurantes onde se sirva comida estrangeira. Um intelectual sabe muitas expressões em línguas antigas e de civilizações consideradas sábias. Um intelectual lucrará se dominar o Latim, o Grego ou o Hebraico.

Lar e decoração
As casas dos intelectuais deverão ser amplas e em estilo vitoriano, embora constituam alternativas as vivendas de estilo clássico, ou as espaçosas quintas. Dentro das quintas deverá existir cavalos. Não é recomendável ter sexo com eles. A decoração das casas deverá conter objectos raros e estranhos de todo o mundo. Quanto mais antigos e exóticos melhor. Os lares têm de possuir secções estranhas; como salas de leitura, salas de cinema, salas com equipamento desportivo e salas de cortar as unhas dos pés e de rapar os pêlos púbicos.

O que um intelectual não faz?
Não arrota e não peida porque isso não exige um exercício de introspecção. Para um intelectual não conta tanto a extrospecção mas sim a introspecção (não confundir com passividade homossexual). Um intelectual não lê Dan Brown. Não tem mais de dois filhos. Se tiver sexo tem que ser tântrico e o recomendável mesmo é a masturbação. Limpa o recto com tiras de seda. Um intelectual não é não-intelectual.

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Uma proposta que não podem recusar

Alberto João Jardim demitiu-se por causa da nova lei das finanças regionais. O representante da república Monteiro Diniz aceitou hoje o pedido de demissão do presidente do Governo Regional da Madeira. A administração central certamente deve estar a rejubilar de felicidade. É o retiro do mafioso. Espera-se ansiosamente a sucessão. Apesar de ser provável que não seja ninguém da sua linhagem directa a sucedê-lo na tutela da família madeirense, quem sabe se ele não arranja uma marioneta qual Marreta, a governar por si. Na verdade talvez arranje um Marreta qual ele próprio, após uma recandidatura ao posto. Duvido que Jardim subsista sem a política. Faz parte dele, é o que ele é e é o que ele fez quase desde a infância. Vai ser um pouco como aconteceu ao Kusturica, ou ao Romário. Esse tipo de pessoas não consegue acabar. É tudo que eles sabem fazer, a única diferença é que no caso do madeirense é tudo o que ele sabe fazer mal.
Jardim deixou um marco não só na Madeira como também em toda a cultura do nosso país. Quem se esquece daquele célebre momento em que o tipo se estava a cagar para o Continente. E aquela pergunta intrigante que ficou no ar: A cadeia de supermercados ou o país?
O madeirense fez jus ao seu nome, é inegável pelo menos isso. Alberto foi como um jardim, um jardim resplandecente, imponente e repleto de couves, as couves que incomodam como o paladar do sabor a caldo-verde que as crianças são por vezes obrigadas a comer. Obrigado Jardim! Obrigado por te ires embora. Continuação de boas fumaças de charuto e boa morte prematura!

Opá rejeitaram a OPA

outra vez. Parece que o Belmiro não vai mesmo conseguir comprar a PT. Desenha-se progressivamente o esfumar de um sonho de dominar de forma tirânica a economia portuguesa. É pena. Para ele, porque eu e todos deveríamos ficar felizes com isso. Daqui a pouco até as nossas mães o sacana quer comprar. É necessário termos cuidado. Pessoas como o Belmiro de Azevedo com certeza veneram Satã e figuras como Rockefeller, esse suposto bom samaritano... da sua própria conta bancária, esse eugenista e fascista a quem os EUA a muito devem para terem chegado à hegemonia internacional. Rezo todos dias para que haja um bom Inferno para tipos como Azevedo. Sinceramente, não os entendo. Para que é que um milionário pode querer ser mais milionário ainda? Não faz sentido absolutamente nenhum alguém pretender mais dinheiro quando já tem suficiente para forrar de um lado ao outro a cidade em que vive com molhos de notas de 500 Euros. Será que estes magnatas não percebem que ao maximizar até à estupidez os seus lucros estão a tirar regalias e bens essenciais a quem não tem poder ou capacidade competitiva para sequer viver medianamente. Quão vil é o egoísmo humano!
Se numa família de 10 irmãos houver um quintal com 10 pêras e se o irmãozinho mais velho, mais inteligente e mais forte tirar 9 pêras aos restantes 9 irmãos, sobra a cada um um nono de pêra. Um nono de pêra deve ser muito bom. Enfiado no traseiro do Belmiro. Juntamente com as restantes nove pêras e um décimo. É de uma falta de bom-senso terrível alguém tão abonado, financeiramente, financeiramente já que o resto se deve dar tudo retroactivamente, não aproveitar o dinheiro e viver regalado e de férias. Não, não. É melhor ganhar mais e mais e mais, até não restar mais dinheiro aos pobrezinhos dos outros. São ladrões profissionais, é o que eles são, as únicas diferenças é que vestem fatinho, têm uma secretária, e o epíteto de Senhor Doutor ou Senhor Engenheiro. Tenham dó. É de uma inutilidade e de uma tristeza terrível ter de se chegar a um ponto em que só o saldo na conta bancária interessa. É sinal de recalcamento e falso moralismo. Só alguém com uma venda nos olhos não é capaz de ver.
As adversidades da condição humana não se combatem com contas bancárias. O dinheiro não traz, pelo menos linearmente a felicidade. Quando se é infeliz, como Belmiro o é; e nota-se isso pois as trombas dele são sempre mais carrancudas do que as de um elefante a obrar, mais vale tentar fazer outra coisa na vida. Não insistir sempre no mesmo, se já se percebeu de que não resulta, uma carreira na equitação, a participação em campeonatos de berlindes ou em concursos de tricot são sempre vias alternativas. Ou então compram-se os três. Também dá.

terça-feira, fevereiro 20, 2007

Uma conversa com James Bond











Então James? Já enc
ontraste o amor? - Não. - Hmm, ok... E agora? - Não, já te disse que não! - Pois, está bem... e agora? - Foda-se, deixa-me em paz!

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

Está a governar mal



Mal o dia começa um dos primeiros rituais que efectuo é odiar o Alberto João Jardim e todos os seus clones políticos, mas ontem confesso que o tipo me fez sorrir. Caso não tenham visto os noticiários cito aqui a sua opinião acerca do aborto - "Quando me perguntam o que é que eu penso sobre o aborto, eu respondo que penso que ele está a governar mal." Até que enfim uma opinião refrescante sobre este tema.

O Carnaval é das crianças

Segundo o site do público.pt isto são duas crianças de Barranquilla (Colômbia) a brincar durante as festividades do Carnaval da região.
Oh! Quanta alegria! Pena eu não consumir cocaína e a Coca-cola já não possuir tantos extractos da planta que dá nome à famosa bebida, pois assim seria a forma que todos andaríamos por aí bem mais alegres e contentes, tais como estas inocentes crianças sul-americanas. Enfim, mas podemos sempre misturar Mentos com Coca-Cola, ou Pepsi com Sonasol.
O Carnaval no Rio então deve ser um verdadeiro desvairo, lá deve fazer um sol paradisíaco, e toda a gente deve estar dançando desnuda e compulsivamente. O que mais alguém poderá querer? Eu nem ligo a televisão para não me sentir tentado a imitá-los e cometer um atentado ao pudor. Aqui infelizmente, o mais perto que posso sonhar desse longínquo ponto terrestre é o Carnaval do Rio Ave e isso é só por causa do nome que eu e umas trabalhadoras exóticas por conta própria vamos dar a uma festa em minha casa. Tenho que olhar as coisas pelo lado positivo. Pelo menos quanto mergulhar no Ave já não preciso de me disfarçar, pois logo me transformo num mutante. Estou confiante que vou conseguir ganhar o prémio de melhor traje, quando for para a discoteca. Cuidem-se os Imigrantes Ucranianos de Tchernobil, ainda eles não viram nada.

Melodrama de sexta-feira à noite

São dias como este que me fazem pôr tudo em causa. Dias danados. Decisões. Opções. Desilusões. Quantas vezes já se depararam com coisas que num determinado momento são e noutro já não o são? Chamam-lhe caos e dizem também que é o que dá piada e tira da vida a mecanicidade. Concordo, só não sei se sei lidar com as expectativas demasiado altas. Hoje queria palitar os dentes com um martelo-pneumático. Não consegui e fiquei em mau-estado. Mas também, perdido por 100 perdido por 1000 não é o que dizem? É um tormento termos que viver connosco mesmos e com as nossas paixões. Elas são absolutamente imprevisíveis e as dos outros tornam as coisas ainda mais árduas.
Não consigo discernir quando um sonho não passa precisamente disso, de um sonho. O resto das pessoas imagino que também passem pelo mesmo problema mas eu tenho a agravante de dormir cerca de 14 horas por dia e ingerir por altura do pequeno almoço peyote, san pedro e cogumelos alucinogénicos com leite. Creio que o problema não será tanto as drogas mas sim o facto de o meu pequeno-almoço ser tomado às 7 da tarde. Pois. Dormir demais faz mal e hoje acordei um bocado deprimido. É o amor, é o amor. Era o amor?
O amor, de facto é um lugar estranho e parece que eu não tenho o mapa para lá chegar. É-me difícil nutrir consistentemente sentimentos que não sofram abalos constantes. Sinto-me como um robocop mas sem a parte do heroísmo, o que me dificulta particularmente na altura do engate. Não que eu goste de engatar, eu julgava ter uma namorada. Mas é triste perceber, quando olho para a minha mão, que a peruca nela posta, não sejam os cabelos sedosos e brilhantes de uma mulher. Os meus braços estão a ficar desproporcionais à custa de tanta masturbação, e a fêmea que dá inspiração ao acto parece afastar-se cada vez mais. Julgava ter feito tudo certo desta vez. Espero que isto seja temporário. São difíceis, são muito difíceis as mulheres. Longe vai o tempo em que elas se limitavam a cozinhar e educar os filhos. Agora mandam em nós. No início não parece, mas depois torna-se óbvio. É um jogo que dominam e eu só sei jogar monopólio, e mesmo assim nunca percebi bem qual é a parte em que temos de comer o tabuleiro. Tenho pena de não haverem manuais de instruções para os relacionamentos. Bem vistas as coisas não sei se iria ter dinheiro para compra-los, só o índice deveria equivaler a 20 enciclopédias escritas em latim, em letra tamanho 3, times new roman. No início são muito sentimentais, todas elas, e depois tornam-se agressivas, possessivas e orgulhosas. Doi-me a alma há algum tempo e logo eu que duvido que a alma exista.

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

O Mundo é redondo

Rotina. Mais do mesmo. Mais do mesmo. Expressão em voga inventada por uma campanha política americana. Política Americana. Monopólio de bens essenciais do planeta Terra de forma a possibilitarem a emancipação perante os demais países, para que atinjam um nível de vida com mais regalias. Regalias. Processo de obtenção de bens raros à satisfação humana. Satisfação humana. Aquilo que transite o mecanismo sensorial do Homem de um estado anímico inferior para um estado anímico superior. Superior. Algo que é mais elevado que algo. Algo. Existência empírica de alguma coisa. Coisa. Percepção objectiva ou subjectiva exterior à mente. Mente. Meio pelo qual um determinado ser apreende os comportamentos reflexivos em função do meio ambiente. Meio ambiente. Atmosfera circundante. Circundante. Algo que está à volta de algo. Algo. Existência empírica de alguma coisa. Alguma coisa. Uma percepção objectiva ou subjectiva exterior à mente. Mente. Meio pelo qual um determinado ser apreende os comportamentos reflexivos em função do meio ambiente. Meio ambiente. Atmosfera circundante. Circundante. Algo que está à volta de algo. Algo. Existência empírica de alguma coisa. Alguma coisa. Um percepção objectiva ou subjectiva exterior à mente. Mente. Meio pelo qual um determinado ser apreende os comportamentos reflexivos em função do meio ambiente. Meio ambiente. Atmosfera circundante. Circundante. Algo que está à volta de algo. Algo. Existência empírica de alguma coisa. Alguma coisa. Um percepção objectiva ou subjectiva exterior à mente. Mente. Meio pelo qual um determinado ser apreende os comportamentos reflexivos em função do meio ambiente. Meio ambiente. Atmosfera circundante. Circundante. Algo que está à volta de algo. Algo. Existência empírica de alguma coisa. Alguma coisa. Um percepção objectiva ou subjectiva exterior à mente. Mente. Meio pelo qual um determinado ser apreende os comportamentos reflexivos em função do meio ambiente. Meio ambiente. Atmosfera circundante. Circundante. Algo que está à volta de algo. Algo. Existência empírica de alguma coisa. Alguma coisa. Um percepção objectiva ou subjectiva exterior à mente. Mente. Meio pelo qual um determinado ser apreende os comportamentos reflexivos em função do meio ambiente. Meio ambiente. Atmosfera circundante. Circundante. Algo que está à volta de algo. Algo. Existência empírica de alguma coisa. Alguma coisa. Um percepção objectiva ou subjectiva exterior à mente. Mente. Meio pelo qual um determinado ser apreende os comportamentos reflexivos em função do meio ambiente. Meio ambiente. Atmosfera circundante. Circundante. Algo que está à volta de algo. Algo. Existência empírica de alguma coisa. Alguma coisa. Um percepção objectiva ou subjectiva exterior à mente. Mente. Meio pelo qual um determinado ser apreende os comportamentos reflexivos em função do meio ambiente. Meio ambiente. Atmosfera circundante. Circundante. Algo que está à volta de algo. Algo. Existência empírica de alguma coisa. Alguma coisa. Um percepção objectiva ou subjectiva exterior à mente. Mente. Meio pelo qual um determinado ser apreende os comportamentos reflexivos em função do meio ambiente. Meio ambiente. Atmosfera circundante. Circundante. Algo que está à volta de algo. Algo. Existência empírica de alguma coisa. Alguma coisa. Um percepção objectiva ou subjectiva exterior à mente. Mente. Meio pelo qual um determinado ser apreende os comportamentos reflexivos em função do meio ambiente. Meio ambiente. Atmosfera circundante. Circundante. Algo que está à volta de algo. Algo. Existência empírica de alguma coisa. Alguma coisa. Um percepção objectiva ou subjectiva exterior à mente. Mente. Meio pelo qual um determinado ser apreende os comportamentos reflexivos em função do meio ambiente. Meio ambiente. Atmosfera circundante. Circundante. Algo que está à volta de algo.

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

"Define-me solidão"

- pede-me Pedro, olhos claros, ingénuo. - "Então, solidão é quando ficas sozinho no mundo e ninguém te pode ajudar. É quando olhas em frente e a única cara que vês é a tua reflectida no espelho ou na água." - "Como assim? Sê mais concreto!" - retorque de forma insistente - "É como o que está a acontecer agora, Pedro... - respondo-lhe, simpático - "Agora? Mas!?" - "Sim, agora! Apesar de teres andado com a minha ex-namorada, e apesar de eu ter continuado a falar contigo, sinto que perdi um grande amigo. Sinto-me só Pedro! O vazio é grande. Sinto que te perdi. É algo difícil de acontecer. É tipo metafísica, entendes? É um pouco como a ironia! E um pouco como a injustiça. É como se o amor acabasse. Percebes?" - "O amor? - Perguntou ele. - "Sim!" - respondi. -"A Ironia, a injustiça? Tens a noção de que ultimamente tens andado com umas conversas estranhas, Stephane?" - troçou-me. "Epá se calhar tens razão... desculpa..." - "Não faz mal! Mas olha uma coisa... porque dizes que sentes que me perdeste? Isso não faz sentido. Porque dizes que estás sozinho?". Virei o bote. O Pedro não sabia nadar. Fui sozinho, quando voltei para o pé dos meus amigos e da minha ex-namorada disse que o tinha perdido. Já só faltavam quatro.

"Define-me amor"

- pede-me Pedro, olhos claros, ingénuo. - "Então, amor é quando acontece exactamente aquilo que queres que aconteça mas de jeitos e formas que te são estranhas. Jeitos e formas que te fazem sentir vivo. E fazem vibrar." - "Como assim? Sê mais concreto!" - retorque de forma insistente - "É como o que está a acontecer agora, Pedro... - respondo-lhe, simpático - "Agora? Mas!?" - "Sim, agora! Apesar de teres andado com a minha ex-namorada, eu continuo a ser simpático contigo e a ser teu amigo. Eu amo-te Pedro! É algo difícil de acontecer. É tipo metafísica, entendes? Consegues sentir isso? É um pouco como a ironia! E um pouco como a justiça também. Tu mereces isso Pedro! Sempre me trataste bem. Dá cá um beijo" - "Pois, acho que estou, mais ou menos... a... acho que tenho de me ir embora Stephane..." - atira sorrindo de um jeito estranho. "Mas eu amo-te! Vem cá!" - "Er... Tenho mesmo de me ir embora!" - responde temeroso - "Olha que te vais arrepender mesmo muito oh Pedro"- insisto com uma cantiga um bocado infantil. Acenou e disse-me que não. O Pedro sempre foi pragmático na forma de resolver os assuntos e aquela vez, em que antes de ter sido atropelado por um camião de porcos, foi violado por um Garanhão puro-sangue, acabando por ter que ir em vários pedaços para quatro morgues da região, não fugiu à regra.

"Define-me Justiça"

- pede-me Pedro, olhos claros, ingénuo. - "Então, justiça é quando acontece exactamente aquilo que éticamente é correcto perante as consequências dos nossos actos " - "Como assim? Sê mais concreto!" - retorque de forma insistente - "É como o que está a acontecer agora, Pedro... - respondo-lhe, simpático - "Agora?" - "Sim, agora! Apesar de teres andado com a minha ex-namorada, eu continuo a ser simpático contigo e a ser teu amigo. É algo difícil de acontecer. É tipo metafísica, entendes? É um pouco como a ironia..." - "Pois, acho que estou, mais ou menos a ver, Stephane..." - atira sorrindo de um jeito estranho, antes de entrar no carro e ir pelos ares por causa de um engenho explosivo despoletado por três relâmpagos e uma bigorna de duas toneladas.

terça-feira, janeiro 02, 2007

Um contentor chamado África

É sabido, creio, que por muita gente, que o continente Africano é uma espécie de ovelha negra planetária. O que pouca gente sabe, pelo menos assim espero, para não ficar deprimido, é o nível a que a coisa alcança.
Vítima de testes medicinais por parte das farmacêuticas, testes que nem sempre correm bem, os Africanos sujeitam-se a um estado miserabilista que roça os piores cenários traçados mesmo para o Inferno. Uma forma de ficar bem elucidado sobre o assunto, apesar de ficção, é ver o filme "O Fiel Jardineiro".
Faz-se deles autênticos ratos de laboratório, até que os medicamentos sejam considerados aptos para serem usados no mundo Ocidental. É doentio.
As farmacêuticas só lucram se houverem doenças, novas e epidémicas de preferência. Uma nova invenção, um contrato ou uma patente podem significar milhões, biliões, triliões. Espero que estas doenças não sejam, tal como os vírus informáticos o são, criados pelos humanos, e neste caso, pelas empresas de fármacos. Quem cria um vírus sabe também criar um antídoto. Era um negócio fácil, terrivelmente fácil e é por isso que defendo que estas empresas deveriam ser nacionalizadas, e posteriormente fundidas numa única empresa global. Era a melhor forma de se acabar com os interesses financeiros que estão por trás delas e inserir ao mesmo tempo um pouco de ética. Ademais os salários dos investigadores deveriam ser fixos, com fiscalizadores de produção e os gastos suportados pelos contribuintes que assim teriam acesso gratuito aos medicamentos, em caso de confirmação de patologia pelos médicos. O estímulo e a motivação para o avanço científico seriam logrados através de bónus qualitativos, dando o nome do inventor ao medicamento, por exemplo.
Outra coisa que pouca gente deve saber é que África deverá ser provavelmente o maior importador e colector de lixo. Sim, de lixo leram bem. O mundo ocidental vende literalmente lixo para o Hemisfério Sul, degradando ainda mais, as já fracas condições de vida sub-saarianas. Os resíduos tóxicos armazenam-se em campo aberto, proliferando doenças e miséria. É um truque de gestão, África recebe dinheiro que tanto precisa, Europa e América livram-se da poluição e acabam com a maldição dos números das estatísticas.
Os ocidentais poluem para ganhar dinheiro, livram-se do lixo e passam a batata quente... e ocra exactamente a quem tem menos a ver com o problema.
«Falam-nos de mundialização, de aldeia global, mas nós, em África, temos a impressão de que somos apenas a fossa séptica da aldeia», declarou à AFP o militante ecologista senegalês Haidar El Ali, responsável por um centro de mergulho em Dakar.

domingo, dezembro 31, 2006

Feliz ano novo

Desejo a todos os meus leitores, a todos que não me lêem, e a todos que não sabem ler um feliz ano de 2007. Que seja o primeiro de muitos dos anos mais felizes das nossas vidas.

Pronto, já está.

Já enforcaram o antigo líder do regime Iraquiano. Resta esperar pelo seguinte, e pelo seguinte e pelo seguinte, até que as cordas se extingam. O julgamento pareceu-me tendencioso, o facto de o juiz ser curdo era uma evidência demasiado óbvia. Relembre-se que que Saddam foi incriminado pelo massacre dos Curdos e dos Suniitas, naquilo a que intitularam, e justamente a meu ver, como crimes contra a humanidade.
No final da execução foram perceptíveis vestígios de sangue à volta do lenço que lhe cobria o pescoço e há já quem defenda que tenha sido espancado e não enforcado. Ético ou não, bárbaro ou não, parece-me compreensível que ajam dessa forma, até porque seria muito difícil fazer justiça a um tão maquiavélico tirano. A única pena que tenho é que George W. Bush e Tony Blair não tenham tido a mesma sentença, por atentado contra a humanidade, contra a humanidade das milhares e milhares de vítimas inocentes, mortas simplesmente para satisfazer desejos mórbidos e monopolistas.
Não me parece que a melhor forma de libertar um povo da opressão seja exterminá-lo. Tudo bem que, dado ao estado que a morte acarreta, eles não estejam mais sobre um domínio autocrático, mas teria sido uma boa ideia, sei lá, digo eu, deixá-los experienciar tal liberdade através de um estado anímico, e não através de um caixão ou do subsolo.
George W. Bush instado a comentar o caso congratulou-se com a morte de Saddam, considerando o feito como "Um marco na história do Iraque rumo à democracia". Sim, de facto, com a raiva que os Iraquianos estão a todo o Ocidente, o mais natural é caminharem a passos largos e contentes rumo a uma democracia, onde todos, livremente, e por espontânea vontade planeiam a morte violenta de ocidentais.
O presidente dos EUA esqueceu-se de um pequeno pormenor, os Iraquianos ou são tiranos ou querem ser governados por eles. Esqueceu-se que o estado de opressão que o regime capitalista exerce sobre o hemisfério Sul faz com que o maior anseio da maior parte dos Islâmicos seja uma Jihad, para se vingarem sobre os Cristãos de tal estado de miséria. E "Tal" já vem do tempo dos Mouros. Bush esqueceu-se de perguntar a si mesmo, ou então até perguntou, mas não fez questão, de como se resolveria por via não bélica o problema Árabe. Talvez seja melhor para os Americanos fabricarem armas, vendê-las, alimentar toda uma indústria e armazenar petróleo do que uma solução pacífica para o Médio Oriente. Talvez.
Quem se apressou a criticar a execução de Hussein foi o Vaticano. Acho estranho não criticarem de igual forma, o extermínio, por forca e cremação viva, por altura da inquisição, de milhões de não Cristãos, nem criticarem as Cruzadas, nem as chamadas missões de Cristianização, do qual Portugal teve um papel prolífico. É igualmente estranho não se responsabilizarem pela morte de milhões de pessoas com HIV, simplesmente porque julgam que o uso de contraceptivos é pecaminoso. Morrer putrefacto é santo, porém condenar à morte São Saddam de Bagdad é coisa do demónio. Já agora... até gostaria de saber como chegaram à conclusão que o uso de preservativos é pecado... Terá Jesus nas suas parábolas mencionado o assunto? "Daqui a 2000 anos, avisem os trisnetos dos trisnetos dos vossos trisnetos que não podem usar aqueles saquinhos de plástico nas pilinhas! hmm... e surgiram os peixes!" Ou... esperem lá... Terá Ratzinger um número de telefone aberto com Deus. "Está lá? Deus!? É O Joseph... Olha e preservativos?" - "Não!" - "Ah, ok. Obrigado!"

quarta-feira, dezembro 27, 2006

Wikipeida

Apercebi-me que nunca usei a palavra espécimen num texto meu. É triste e martirizo-me por isso. Martirizo-me por isso traçando, com um xizato, três linhas absolutamente simétricas desde a zona lombar até ao joelho direito. Mas nunca é tarde de mais na vida para nada e aproveito a altura para o rectificar. Não vá esquecer-me. De qualquer forma, não era sobre isso que vos pretendia falar.
Há pouco enganei-me a escrever a entrada do site da wikipedia.org. Pus-me a pensar naquilo - "Wikipeida... Wiki... peida... hmm... Um rabo comunitário...". Confesso que me deixou um tanto perplexo. É estranho, com o avanço da tecnologia, como é que ninguém ainda se lembrou de pegar neste conceito. Seria uma excelente forma de aliar duas indústrias em contínuo crescimento: a Internet e a prostituição. Isto, se se confirmar que aquele tipo preso em Inglaterra seja, de facto, o culpado dos crimes de assassinato das cinco mulheres... (não vá o diabo tecer e a chacina de concubinagem perpetuar.) Caso contrário, mesmo com uma possível exterminação total, também haveriam umas miúdas mais dadas a quem a ideia poderia ser estimulante. Não rameiras, não rameiras no verdadeiro sentido da palavra, mas concubinas à mesma, de outros jeitos, jeitos digamos que Duty Free, a exemplo de alguns produtos nos aeroportos Ingleses, e alguns produtos a chegar a aeroportos de praias ocidentais, em forma de turistas provenientes dos aeroportos Ingleses...
Não quero ser intriguista. Respeito perfeitamente as opções sexuais de toda a gente, só acho estranho o desfasamento de mentalidades comparativamente à Idade Média, altura em que para se ter relações sexuais, ou troca de fluídos, para aligeirar a coisa para os púdicos, os Britânicos tinham de afixar uma espécie de cartaz às portas de suas casas, após um requerimento sujeito a avaliação por parte do rei, avisando que naquela altura se estava a dar uma foirada, uma pinadela, uma foda, para maximizar a coisa para os púbicos. O cartaz pendurava-se nas portas e continha a palavra "F.U.C.K.", daí o termo usado hoje na língua de Shakespear. Na altura significava - FORNICATION UNDER THE CONSENTIMENT OF THE KING (Fornicação sob o consentimento do Rei). A mudança é talvez fruto da Revolução Industrial, e do Protestantismo. E ainda bem para nós machos latinos, do qual faço questão de me incluir por questão de solidariedade, dos outros para comigo. O fumo das indústrias deve ter obstruído as vias sanguíneas que irrigam o cérebro das tipas, e ainda bem que assim foi, volto-o a dizer... caso contrário os meus sete filhos não estariam a receber uma pensão de alimentos tão boa e eu não teria montado aquela loja de tráfico de rgãos ao lado do McDonald`s. Estou muito grato a Deus, a quem a todos meses, por questão de fé, faço questão de entregar na sede da IURD, 60 % dos meus recursos. Foi uma sorte incrível ter comprado aquele estabelecimento e a última turista com quem andei, trabalhar no ramo da cosmética e me ter dado aquele eyeliner e aquele pó talco que tanto me faz parecer com um Chinês.

domingo, dezembro 24, 2006

Neste Natal

Neste Natal não desejo muito. Desejo que não apanhem Sida, que não morram de Cancro, que não tenham um acidente desastroso de avião, ou de carro, que não sejam despedidos, assassinados, ou bombardeados, que não sejam raptados pela CIA, que não morram queimados, afogados, ou atropelados por um camião de madeira. Desejo que não se tornem hirómanos, viciados em crack, ou em outras drogas. Desejo que procurem o amor em cada segundo desta ténue intermitência que é a vida. Desejo que as pensões e os salários aumentem, que não vos caia um piano ou um cabo de alta-tensão em cima. Desejo mais igualdade social entre homens e mulheres. Desejo que o racismo e o fanatismo religioso acabe, desejo que não passem fome. Desejo o desarmamento, o perdão da dívida dos países sub-desenvolvidos, desejo que parem de explorar os oprimidos. Desejo que não calem nem consintam. Desejo que vivam. Desejo soluções. Desejo empenhamento. Desejo altruísmo.
Lutem por serem felizes, e lutem para que todos assim sejam. Feliz natal e boas vidas.

E a ti... desejo-te. Muito.

Ah... e já agora aquele portátil também era bacano.

Pinto salgado

Depois do caso José Veiga, em que este jura com todos os seus dentes empresários, provavelmente mentirosos, estar inocente dos crimes de invasão fiscal e desvio de dinheiro, é caso para dizer que o pintainho, tal como o bacalhau, está esfiapado e Salgado. Só falta mesmo ser comido pelos abutres da opinião e do ministério público. E que melhor altura para isso do que o Natal. São Nicolau não poderia ter sido mais generoso com Luís Filipe Vieira, Dias da Cunha e seus pares. Não quero, tomar partidos, nem tão pouco, numa altura tão prematura, tão alegre e natalícia como esta, atirar ao desbarato juízos de valor, mas o tipo nunca me pareceu honesto. Nem mesmo quando trouxe aquele valioso marfim para o país, nem mesmo quando pagou todas aquelas viagens e ofertou todas aquelas meninas de alterne aos árbitros. Seria de admirar que em Portugal o futebol fosse limpo, quando num país mais ou menos civilizado como a Itália tal não se sucede(u?). Mas o caso não é único. Parece que o Presidente da Académica de Coimbra também é suspeito de peculato, assim como um conterrâneo, dirigente de um centro social, assim como a polícia municipal de Braga, assim como a Câmara de Gondomar e Valentim Loureiro, assim como o BES, assim como Fátima Felgueiras, assim como o BCP, o Finibanco e o BPN, assim como foi Vale e Azevedo. Assim como comem os porcos da pia dos outros.
Vêem uma tendência aqui? Eu não gosto nada de estereotipar as coisas, nada mesmo, a menos que elas tenham piada, e a verdade é que a maior parte destas pessoas provêem de mundos estranhamente híbridos do futebol e da política. Não gosto de meter tudo no mesmo saco, mas seria interessante que naquele azul de Fátima Felgueiras coubessem as lontras que são o Bernard Tápie, o Pinto da Costa, o defunto Gil y Gil, o Valentim Loureiro, o Berlusconi, Luciano Moggi. Eu sei que o cheiro poderia não ser muito agradável, mas quem sabe se teria alguma utilidade para a agricultura, dizem que o exterco animal sempre foi bastante eficiente.

sexta-feira, dezembro 22, 2006

Natal

Ao contrário da maior parte das pessoas, cada vez acredito-me menos no Natal. No Pai natal sim, que nos obriga a comprar prendas e alimentar os vícios dos grandes patrões. Mas, no Natal não. Tenho procurado em cada rosto restos de altruísmo, de um altruísmo puro e, não o nego, por vezes encontro-o. Mas torna-se cada vez mais claro para mim que tal não passa de uma excepção a confirmar uma regra de um verdadeiro egoísmo inerente à própria condição humana. Um egoísmo que não damos conta, um egoísmo que nos alimenta o ego - "Eu é que sou especial, eu é que mereço!". É um pouco triste. Não quero dar-me por puritano, antes pelo contrário, eu próprio, sou assim algumas vezes. Mesmo não tendo conhecimento. Assim sendo, só me resta uma solução, só me resta saber lidar com o meu e o vosso lado animal, admitir que todos temos necessidades, que no mundo impera a lei do mais forte, e que a vida não passa de um longo jogo de xadrez. Podíamos era tentar fazer com que aos mais fracos sobrasse alguma dignidade. Não é... seus meninos... fraquinhos! Fraquinhos! Coitadinhos... Vou lançar um cd e reverter 2 % dos milhões de milhões de milhões de dólares que vou ganhar a ajudar-vos... coitadinhos...

Indefinições

Longe,
bem longe,
um ponto negro no horizonte.
Uma sombria e seca fonte,
um olhar cego
e vago, um acreditar leigo,
inocente. Uma porta fechada, completamente cerrada.
Um nada, um vazio, um vazio que é tudo.

Um tentar esquecer
e não poder.

Um caminhar por ruas desconhecidas
rumo a terras perdidas.
Ruas, becos sem saída.
Um andar ás voltas
e uma estúpida ansiedade
uma estúpida ansiedade.

e não te ter
e não te ter
e não te ter

quarta-feira, dezembro 20, 2006

Aristótes contra Sócras - Dia 1



Encontrei-me com eles. Estava uma noite fria e chuvosa. Debatiam de forma acesa,como sempre. Não quis ser mal educado, mas já desde o dia anterior que andava com uma dúvida.


Stephane - Amigos, estive a reflectir e a pergunta que vos deixo é se o mundo estará ou não cheio de pássaros. Sempre ouvi opiniões divergentes e gostaria de ficar melhor elucidado em relação a esta temática, de modo a efectuar uma tese a propósito da vida animal e do PH neutro dos sabões Dove.

Sócras - Claro jovem Stephane, tenho sempre muito gosto em poder-te ajudar. Creio que o mundo não está de todo cheio de pássaros. Se reparares não existem tantos pássaros assim. Como certamente saberás, através do estudo da biologia, as aves nem sequer são a espécie predominante no nosso planeta, mas sim os mamíferos, do qual julgo tu fazeres parte. Nesse caso seria muito mais lícito afirmar-se que o mundo está cheio de mamíferos. Para além disso, o conceito "cheio" pressupõe a inexistência do vazio, de vácuo ou de qualquer outro tipo de matéria sem substância. Como podes ver olhando para cima, tu não vês apenas pássaros mas também a atmosfera circundante, e que eu saiba, até ver, a atmosfera não é ainda composta de aves. Para além disso mesmo que assim fosse, seria impraticável à espécie executar aquilo que lhe é legítimo por natureza, o que constitui verdadeiramente a sua essência - o acto de voar. Deixariam de ser pássaros. Caso o mundo estivesse cheio de espécies voadoras, o ambiente circundante à terra e até a própria terra estaria repleta por eles, estariamos ligados por uma espécie de massa Passarascal como que um cordão umbilical à nossa mãe-terra se tratásse. A própria terra não passaria de um gigante conjunto de pássaros, uns em cima dos outros, os outros em cima de uns, erguendo-se qual torre de Babbel. O planeta deixaria de fazer sentido e em vez de Terra-mãe teriamos de usar a expressão Mãe-Pássara, o que certamente tem tanto de pouco abonatório como de púdico e repudiável.

Aristótes - Eloquente o teu discurso nobre Sócras, mas não convincente. É do meu crer que a questão evocada por Stephane, nada a ver tem com essa sequência de pensamentos descabidos. Baralháste completamente a questão a favor da tua retórica, mas isso de nada te valerá, pois a mim não enganas. O que o autor deste blog quis saber quis saber foi - se o mundo estava "cheio de pássaros", no sentido de estar farto dos pássaros. E o mundo está, de facto, farto dos pássaros.
Esta malfadada espécie povoa o globo que nem uma praga. Multiplicam-se, cagam-nos na cabeça, nos carros, nas estátuas, nas escadas e depois fogem cobardemente num bater de asas. Desde o início dos tempos que nos torturam o imaginário, acabando por fazer com que um dos maiores anseios da humanidade seja imitá-los e voar. Como seria bom podermos voar sobre as nuvens sem nada nos preocuparmos, cagando na cabeça de quem a vontade nos ditasse. Mas, infelizmente este intento só há bem pouco tempo teve sucesso, parcial pois cagar na cabeça das pessoas é ainda praticamente inexequível, a menos que o façamos do alto de uma janela. Julgo ser óbvio que os pássaros trouxeram mais resultados negativos do que propriamente bons. Os pássaros deveriam, no meu entender serem todos eliminados, e por causa disso declaro desde já aberta a época da caça. Beijinhos.

Stephane - Realmente o que eu havia perguntado era se o mundo estava cheio de pássaros, no sentido de estar preenchido por pássaros. Concordo com o ponto de vista exposto por Sócras e agradece-lho a códia de pão que me autorgou para vigiar no interior do meu estômago, no fim do seu brilhante discurso, um discurso que teve tanto de genial, como de científico. O mundo não está de todo cheio de pássaros, e o sabão Dove faz bem à pele

segunda-feira, dezembro 18, 2006

Aristótes contra Sócras - Dia 0



Dois individuos vagabundeando nas escadas da Câmara Municipal de Lisboa rebolam de um jeito estranho até ao pé de uma caixa de tons castanhos. Um tem o cabelo escuro o outro cheira a uma mistura de cebadouro com chouriço.

Aristótes - Caro Sócras, é da minha opinião que deveriamos participar num blog, num sítio onde pudessem, de facto, ver o nosso confronto ideológico. Como grande pensante luso-helénico que sou ,sinto-me farto do anonimato. Sinto saudades dos áureos tempos do passado. Não penses que quero fama, nobre amigo, simplesmente desejo uma esfera-pública onde possamos desafiar o poder da nossa retórica. Espero que compreendas o meu intento... e que por favor saias da minha caixa... Bem, como estava a dizer... Porra... Arranja uma caixa só para ti oh cabrão! Tira daí as mãos! Raios!

Sócras - Qual Caixa?! Não sejas tão redundante... Não me tentes enganar. Não tens autoridade para me retirares do Hades!!

A - Hades? Hades o caralho! Se isto é o Hades eu sou a barragem do Alqueva... Isto não passa de uma caixa! Qual Hades? Ainda te acreditas nisso? Meus deuses!! Maldito seja aquele que inventou a mitologia helénica... se eu apanho esse tal Buda esfolo-o. Budistas da treta! Reencarnação da treta... bah!!

S - Cão infiel, não me tentes enganar, nós não reencarnámos. Não tentes persuadir-me que isto não é o Hades. Ok que pode não ser tão bom como imaginavamos mas também não exageres. Para além disso isto nem sequer é uma caixa, é um caixote!

A - Caixote... caixa... tudo a mesma coisa...

S - Não é um caixote, nem uma caixa, já te disse eu. É o Hades - o esplendoroso Hades!!

A - Hades... Hades lá ir Hades! Já te disse para saíres da minha caixa! Tira a mão! Budistas de merda!

segunda-feira, dezembro 04, 2006

Boémia

No fim-de-semana passado saí com uns amigos. Tinha prometido a mim mesmo voltar cedo para começar alguns trabalhos pendentes, mas as coisas acabaram por não acontecer como estava à espera. Da meia-noite fui ficando até à uma, da uma até às duas, das duas às três, e por aí adiante. Para além disso, à medida que ia ficando no bar ia também bebendo nas mesmas e exactas proporções. Isto é, se à uma hora estava com uma cerveja na mão, às duas estava com duas, às três com três e às quatro com quatro. Desengane-se, no entanto, quem julgue que não havia começado ainda a beber. A grande pergunta naquele momento era quando. Quando tinha começado a beber? Aliás em que sítio é que eu estava? E porquê o motivo do motivo das coisas?
Pelo que me recordo, a coisa começou quando um meu amigo, e colega de curso, o Marcos, me desafiou o lado artístico - "Como podes algum dia vir a ser um artista, se não és boémio? Todos os artistas são boémios! São bêbados, drogados, proxenetas e tem herpes labial! Olha para mim! Estou completamente bêbado! E isto é só o início! Tens que começar a treinar!"
Eu claro, não me querendo ver atrás, comecei desenfreadamente a ingerir o líquido de Baco.
Sim, é verdade que descobri o meu lado artístico, principalmente quando comecei a tentar engatar um caixote do lixo, e depois, numa altura em que pintei em casa, à custa das minhas entranhas, um belo quadro sobre o horror, o nefasto, e o tenebroso, através de um potente vómito no lavabo da minha casa de banho! Sim é verdade tudo isso, mas o que acontece é que os pais do meu colega de quarto, o Roberto, viriam algumas horas depois. Já o resto prefiro que sejam vocês a imaginar.

segunda-feira, novembro 27, 2006

Mundus Horribilis

Rezam-se orações aos porcos.
Ratazanas percorrem esgotos,
roem corpos jazidos, almas defuntas,
mijam-lhes em cima e chamam-lhes putas.

Um cheiro nauseabundo, uma diarreia sentimental
se espalha, é só ver bolorentos olhos impestados com crude,
sanguessugas sugarem o sangue podre da virtude.
Malogrado destino, estrume do mal, Judas consome o beijo fatal.

Vitrais partidos, vandalizados,
ossos mórbidos e amontoados.
Escaravelhos, baratas passeiam caveiras,
cruzes avessas nos altos das Igrejas.

Mundo Cruel
Junta-se o excremento e o mel
na mesma caldeira
serve-se á mesa. Ultima Ceia. Caganeira.

Eva serve a Adão o fruto proíbido,
fuma umas ganzas, está todo fodido!
Olha em volta, ópio
mãe da revolta, geradora do ódio!

Verdade:
crime, cancro da sociedade.
Amordaçadas caem já pesadas as carcaças do fútil lutar.
(Lá No alto uma nuvem esconde o luar.)

Olhar cruel, Belzebu!
A merda chega já á cidade,
indiferente só dizes para levármos no cu!
Nós próprios construimos a realidade.

Fim, juizo final
Castrador do nefasto, do ruim e do mal.
Devastação,
Salvação!

Ponto de Interrogação.

TVI Darwinista

Ora, se os modelos dão cantores, os cantores dão actores, e logo apresentadores. Para além disso, se os actores dão apresentadores, vão, necessariamente, dar escritores e logo guionistas. Pois, mas, se os escritores dão guionistas, também dão realizadores, e depois produtores, e os produtores empresários e os empresários, multi-milionários dos media, e como os multi-milionários portugueses vendem as empresas para Espanha de modo a ficarem ultra-milionários, de Espanha são vendidas para a França, e da França para a Inglaterra e da Inglaterra para a Alemanha e da Alemanha para os Estados Unidos, até que um dia vão parar às mãos da Exxon ou de algum antigo membro da Skull & Bones. Força Angélico, a partir de agora estou contigo! O céu é o limite!

domingo, novembro 26, 2006

O Crime não compensa


Este vídeo é real, e o seu interveniente realmente estúpido.

terça-feira, novembro 21, 2006

Os dias e as ironias

- Antes de a China e a Índia, previsíveis futuras potências mundiais, se interpelarem na antiga colónia britânica, de forma a debaterem parcerias, os presidentes dos EUA e da Rússia, inimigos na altura da Guerra Fria, reúnem-se com os congéneres asiáticos para negociar uma aliança no plano económico.

- George W. Bush é obrigado a usar, na cimeira Ásia Pacífico, o traje típico do Vietname, único país com quem os EUA perderam claramente uma guerra.

- Apesar, da derrota do partido Republicano de Bush nas eleições para o Congresso, devido à política no Iraque, e, apesar de a maioria dos Americanos acharem que o exército se deve retirar do Médio Oriente, o presidente Americano reforça mais a presença na região.

- José Veiga, a exemplo de Vale e Azevedo, também ex-presidente da SAD do Benfica, é suspeito de burla e evasão fiscal.

- Estado Português continua a cobrar juros sobre impostos fiscais em dívida, porém atrasa-se nos pagamentos de subsídios e nos retornos de erros do fisco, sem que seja cobrado da mesma forma.

- São cobradas multas por excesso de velocidade, devido a falhas por parte da brigada de trânsito e do sistema informático usado pela DGV. Muitos condutores já haviam vendidos os carros, na altura do suposto crime.

- António Ramos, presidente do sindicato da polícia, diz que o governo lhe montou uma perseguição...

"Define-me ironia!"

- pede-me Pedro, olhos claros, ingénuo. - "Então, ironia é quando acontece exactamente o que estavas à espera mas, no entanto, o efeito em ti causado é exactamente o inverso" - "Como assim? Sê mais concreto!" - retorque insistentemente - "É como o que está a acontecer agora, Pedro... - respondo-lhe, simpático - "Agora?" - "Sim, agora! Apesar de teres andado com a minha ex-namorada, eu continuo a ser simpático contigo e a ser teu amigo. É algo difícil de acontecer. É tipo metafísica, entendes?" - "Pois, estou a ver, Stephane..." - atira sorrindo, antes de entrar no carro e ir pelos ares por causa de um engenho explosivo.

Sexo

Há uns dias um amigo virou-se para mim e disse - "Epá, não consigo deixar de pensar nela, é incrível! Porque é que é tão bom sentir aquela boca quente no meu pénis? Estou a ficar viciado pá, isto pode fazer-me mal! Achas que devo entregá-la outravez à loja de animais?". Eu, claro, meio a troçar meio hilariado, ri-me. O Fred, o meu amigo, ficou intrigado, mas pouco depois inquiriu-me perplexo - "Porque te estás a rir? Achas que não devia entregá-la de volta? Pois... o que é que eu ia fazer ao aquário. Não era?"

Saudades

Estou com saudades de ver Portugal a ganhar um evento. Sem desprezo para com os actuais campeões mundiais de algumas competições desportivas ou outras que se realizam no país, caso eles existam, mas de facto, o panorama está bastante sombrio e não vejo ningúem a fazer nada. Os Jogos Olimpicos têm sido fracassos atrás de fracassos e cada vez a motivação é menor para praticar desporto de alta competição. Já a indústria pornográfica, por sua vez, tem florescido pelo mundo fora, embora isso não tenha necessariamente a ver com o caso. Da forma como as coisas estão eu quase que não ficava surpreendido se Portugal não fosse sequer campeão, dentro de alguns anos, do que quer que seja, a nível nacional. E não por causa de uma eventual anexação por parte da Espanha, como pretendem alguns lusitanos e muitos dos nuestros hermanos. Não me refiro a isso. Mas este tema da anexação também é interessante - segundo uma sondagem realizada por um jornal espanhol, cerca de 6o% da população daquele país aceitaria de bom grado uma união ibérica, união ibérica essa que se deveria chamar Espanha e ter como capital Madrid. Interessante e inovador, sem dúvida. Muitos acreditam ainda que essa junção poderia ser benéfica para as duas partes, mas creio isso se deve ao facto de a sondagem, provavelmente ter sido realizada à porta de um hospital psiquiátrico.
Enfim, dizia eu que sinto saudades de ver Portugal a vencer algum evento... No entanto, a verdade, e isto é triste, conta-nos a história que sempre que vencemos hegemonicamente alguma competição (lembram-se dos Jogos sem fronteiras, lembram-se do hóquei em patins) estas ou cessam de existir ou entram em decadência. Os jogos sem fronteiras já nem sequer existem, o hóquei em patins subsiste mas só é televisionado em Portugal e Espanha. E o hóquei já foi o segundo desporto colectivo na Europa! Ora, os mais atentos ao desporto objectarão que a Eurosport já transmitira uma vez a competição europeia de selecções, mas isso só aconteceu, se bem me recordo, porque à última hora tiveram de cancelar, por falta de apoios publicitários, um concurso de beleza de dentaduras de cavalo... De qualquer das formas é triste perceber como funciona o mundo, perceber que basta um país pequeno tomar conta de um desporto, por um qualquer motivo, para este cessar ou entrar no mundo do esquecimento. Mas é a lei da vida. Já estou habituado, e é por isso, e vendo as coisas por esse prisma, que peço ao candidato português do próximo EuroFestival da Canção que ganhe aquilo para ver se o raio do programa acaba de uma vez por todas. Por amor de Deus! Já estou farto daquilo! Nhéc!

Pérolas raras

Mais uma pérola por parte dos bispos portugueses - a reprodução assistida é, e cito - "Infidelidade consentida". Com este tipo de declarações começa a não ter mal nenhum ser da Igreja Raeliana. Salvé Marcianos! Salvé Darth Vader! I am your son!

segunda-feira, novembro 20, 2006

Bush trajado à Vietnamita


Quando não os podes vencer junta-te a eles!

A lenta teoria de Darwin

Alexander Litvinenko, espião dissidente do FSB (antigo KGB), encontra-se em estado grave à cerca de duas semanas, depois de ter ingerido tálio, um metal tóxico usado para matar ratos.
Litvinenko era um enérgico contestante das políticas do presidente Vladimir Putin e investigava, até então, o assassínio da famosa jornalista Anna Politkovskaya, do jornal Nováya Gazeta.
O Russo fora envenenado em Picadilly Circus, numa altura em que jantava com um contacto que dizia ter informações acerca da morte da sua compatriota. A Scotland Yard está a estudar o caso e suspeita que tenha sido a FSB a cometer o crime.
Politkovskaya, morta a 7 de Outubro no elevador do prédio onde residia, era também uma aguerrida crítica do regime de Putin, principalmente no que se refere aos ataques na Tchetchénia. O assassínio fora bastante estranho e o mistério que o envolve ainda está por desvendar. Dizem os peritos.
Ora, eu cá não sou nenhum perito e não preciso de muito para ver o que se sucedeu.
Politkovskaya, para além de censurar abertamente o governo, descobriu algo que punha em causa a liderança do presidente Putin. Este por sua vez descobriu-o o que ela descobrira, antes que ela pudesse fazer alguma coisa, ordenando o FSB que a assassínasse. Já Alexander Litvinenko tivera a triste felicidade de ter conhecimento de que o governo Russo teve conhecimento do que Politkovskaya de tão grave havia descoberto... e advinhem? O resultado foi o mesmo.
Falam em liberdade de expressão. É uma expressão bonita, é uma expressão melodiosa e soa bem no ouvido. Soa a democracia. Eu acredito na liberdade de expressão, pelo menos para quem não é assassinado brutalmente antes de a omitir. Eu acredito na democracia. A democracia não é hipocrisia. Viva a Rússia e abaixo o Comunismo! O Comunismo é opressão das liberdades individuais, mas a democracia não! A democracia só existe no liberalismo! Viva o liberalismo! Viva a revolução Francesa! Abaixo os Jacobinos. Salvé burguesia aristocrática do petróleo, do Gás e do armamento! Salvé! Viva o dinheiro! Vivam os Americanos! Vivam os Russos! Abaixo à cortina de ferro! Os Soviéticos são maus mas os Capitalistas são bons! Vivam os milionários, vivam os bancários! Morte aos desprezados, fome aos esfomeados. Nós ficamos com 100 e vocês ficam com 1. Viva a Perestroika! Viva a paz da aliança do Norte! Vendam-se armas lá para baixo. Abaixo é o hemisfério Sul! Acima é o Hemisfério Norte. Vamos dar cabo da economia da China, roubar o petróleo no Iraque, monopolizar o gás da Rússia, comprar armas e matar gente. Vamos instalar fábricas capitalistas a pagar salários comunistas, não tem mal ser altrúista quando não se lhes paga mais que um prato de iscas!

Evolução? Darwin... por amor de Deus!

sábado, novembro 18, 2006

A difícil reconstrução do Iraque


O ópio do povo


Dizem que o futebol é o ópio do povo. Dizem também que não se deve misturar alcóol com drogas, principalmente alcóol etílico. Mas as pessoas continuam a não ouvir. Só espero é que este tipo não tenha ido conduzir. Caso contrário, paz à sua alma.

As Burkas

Segundo o Público o Governo Holandês, até agora conhecido, pela aceitação de costumes e hábitos alternativos, tais como as drogas leves e as casas de prostituição, prepara-se, ao exemplo do que os Britânicos fizeram nos seus hospitais, proíbir o uso de Burka. O que acontece desta feita é que esta restrição se alarga a todos os locais de carácter público.
Rita Verdonk, Ministra da Imigração Holandesa, afirma que
"É indesejável que o vestuário que cubra a cara - incluindo a burka - seja usado, por razões de ordem pública, de segurança e protecção dos cidadãos(...)De um ponto de vista da segurança, as pessoas devem ser sempre identificáveis e do ponto de vista da integração, pensamos que devem poder comunicar umas com as outras."
Ora, toda a gente sabe, que a melhor forma de integrar as comunidades é rejeitar, por princípio, todos os seus costumes, renengando as suas culturas. É bem melhor fumar haxe e andar alucinado com cogumelos do que andar vestido com uma Burka, pois isso sim é que perturba a segurança nacional. Numa Républica, como os Países Baixos e mesmo tendo em conta o acto bárbaro que é a imposição desta idumentária, ou esta tenda em forma de roupa, como quiserem, isto acontecer, só prova que o nosso mundo está de mal a pior. Não me surpreederei se houver uma reacção desagradável por parte da comunidade muçulmana internacional. E mais uma vez, não ficarei surpreendido se o ódio entre estas, tão antagónicas civilizações, despoletar mais ainda. O papel, supostamente demagógico que a Europa e os Estados Unidos querem dar ao resto do mundo, é o mesmo que Pavlov tencionava dar, quando na verdade, era o seu cão que o ensinava.
Em tempo de deixar andar, em tempo de "O conflito no Sudão não é um genocídio", pergunto-me a mim mesmo quem é que exerce neste mundo o papel de nos ensinar um pouco de ética. Pergunto-me quem nos quererá ensinar, de facto, o bem, e chego à conclusão que o Noddy, e o Clube Morangos não é assim tão mau quanto isso.
A civilização ocidental não tem qualquer tipo de direito de interferir na vida dos islâmicos, principalmente, como é o caso, eles nem sequer se queixam. Relembro que ninguém, pelo menos na Holanda, obriga as mulheres a usar a idumentária. Ou já as ouviram queixar-se? Espero estar enganado em relação às respercussões que isto pode ter, mas estima-se que só cinquenta mulheres as usam no país.

O Aborto

Toda a gente quer impôr as suas opiniões em relação ao aborto. Isto é, quem tem, de facto, uma opinião não estereotipada em relação a este tema.
Por isso cá vai a minha opinião:
Antes de votarem pensem se gostariam de nascer num lar onde não fossem desejados, numa casa com um salário de 350 Euros mensais em que passariam a vida a levar porrada, pensem se gostariam também de ter de alternar isso com estudos até ao nono ano numa escola de um bairro problemático, onde vos espetariam facas em tudo que era sítio.
E para quem pensa que ainda existe a solução dos orfanatos peço-lhes que se lembrem do Caso Casa Pia e das milhares de crianças que todos os anos não são adoptadas. Dizem que a vida é muito bonita, mas a vida só é muito bonita para quem não deseja a morte. Nem todos têm sorte.
O que eu penso é que em vez de haver um referendo sobre o aborto o governo deveria ter o bom-senso de acabar com as estúpidas burocracias da adopção e melhorar as condições dos orfanatos. Talvez aí fizesse sentido votar não, De qualquer forma começo a pensar que é bem menos doloroso, a partir de agora, para as mulheres, após os fechos das maternidades, procederem a um aborto, do que ter de viajar de avião até à maternidade mais próxima.
Alguns Bispos portugueses estão a ponderar contestar o poder soberano do país. Serei a única pessoa a julgar isto rídiculo? Mas quem é que eles pensam que são? Onde pensam eles que estão? Na Idade Média? Julgam que ainda tem o poder temporal? Por amor de Deus! A vontade da maioria é a vontade da sociedade e só a sociedade sabe determinar realmente o que é bom ou mau para ela. A Igreja, no entanto, acha-se no direito de atirar barbaridades para o ar e dizer que uma lei só faz sentido se esta fôr boa. A verdade é que estão com medo da livre opinião das pessoas, e através de um medo que tão bem sabem impôr tudo fazem para monopolizar, à sua vontade, as consciências. Senhores Bispos e que tal argumentos de verdade, para variar. Já não estamos na época da inquisição!

Fusão

Em entrevista à SIC, o presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, afirmou estar em plena sintonia com José Sócrates. De facto, como suspeitava, José Sócrates e Cavaco Silva, juntos só conseguem preencher um cérebro. Uma boa sorte para eles. E por favor não tentem resolver o problema num hospital estatal, pois nos tempos que correm, mais vale ser operado numa loja chinesa e depois ficar hospedado num hotel.

Rumo ao Futuro

Num tempo tão atribulado e dinâmico é natural acontecerem mudanças. O mundo já não é o mesmo, tal como as pessoas que dele fazem parte. Um exemplo notório é a nossa nova forma de encarar a sorte e a divindade, coisa que ganha um relevo incrível em Portugal, nomeadamente na classe média e baixa. Desde a recessão económica e a crise do Catolicismo, a maior parte das pessoas já não parece acreditar em Deus. As pessoas agora têm um novo Poderoso e Misericordioso e ele chama-se Euromilhões.

Casa da Misericórdia que sois tão boa, perdoai-nos as nossas fúteis despesas, perdoai-nos a falta de trabalho e o fraco nível educacional, e nos ajude a ganhar a lotaria, assim como os nossos associados. Amén!

Já lá vão três anos

Já lá vão três anos. Três anos como todos os outros. Três anos de evolução e regressão, de felicidades e de tristezas, três anos de conquistas e de derrotas, de glórias e humilhações. Cresci com este blog e este blog cresceu comigo. Estou mais maduro e mais culto. Já lá vão três anos. Espero que gostem do novo grafismo.

sábado, novembro 11, 2006

Vida de estudante

O pessoal gosta de ficar bêbado. Dado ao carácter saudável e revitalizante do alcóol ficar bêbado é como que um medicamento. Quem não gosta de uma boa jarda? Fica-se bem disposto, alegre, divertido, as gajas parecem todas boas e mesmo que vamos dormir com uma lata de sardinhas, de uma forma ou de outra, o sexo acaba por correr bem. Já me aconteceu acordar abraçado a uma playstation e vê-la estranhamente pintada de uma cor que não escura, e não tive vergonha disso! Eu não tenho vergonha disso. Falo no assunto porque vem aí a recepção ao caloiro, que neste caso provavelmente será a recepção das caloiras, se o meu quarto tiver espaço para muitas ao mesmo tempo. Depois, claro, masturbo-me compulsivamente. Não quero cá misturas.
Adoro esta altura do ano, adoro mesmo, parece época de acasalamento, adoro principalmente porque podemos sem pudor ser irresponsáveis e faltar às aulas. Não que eu vá muitas vezes às aula, eu odeio aulas, mas a recepção ao caloiro é quase a liberalização da baldice.
Antes há ainda a latada. Estou ansioso. Eu gosto de comparar a latada ao carnaval do Rio, só que neste caso, não há tantas gajas boas e em vez de estarem despidas estão vestidas, pintadas e provavelmente no chão. Já os carros alegóricos, em vez de pomposos, podiam muito bem vir de uma sucata de crianças da infantil viciadas em crack. Ah... e na Latada as pessoas não também fornicam nas esquinas. Tanto. Mas é fixe na mesma.

quinta-feira, outubro 12, 2006

Ser ou não ser?

O mundo não pára de tremer e desta vez não tem nada a ver com tremores de terra, vulcões, ou com a Simara a movimentar-se de casa para o jardim. O presidente da Coreia do Norte, sub-produto da sub-inteligência das políticas internacionais da antiga União Soviética e dos EUA, anda a testar, ameaçadoramente armas nucleares. Foram perceptidas recentemente actividades subterrâneas a comprovar este facto e o Japão e os Estados Unidos já estão a tomar precauções, Bush continuando a ser idiota e a tirar uns dias para pensar no que vai fazer, até a CIA lhe disser o que deve fazer, e o Japão prometendo sanções. Com conflitos em todos os continentes do mundo e com a América a insistir em meter-se em todos os assuntos, pelo menos aqueles que envolvem dinheiro, petróleo e afins, uma terceira guerra mundial não é um cenário improvável. Não há bons da fita, a Rússia vende Urânio sem pensar nas consequências e mata jornalistas que tenham ideologias diferentes das do estado, continuando a bombardear a Tchétchénia. A China é o que toda a gente sabe, mesmo sendo o terceiro país mais rico do mundo as pessoas vivem na autêntica miséria, já os Estados Unidos demonstram um egoísmo tão grande e tão sem precedentes que era capaz de fazer corar de vergonha o próprio senhor das trevas. Vídeos com teorias alternativas daquilo que se passou realmente no 11 de Setembro andam a proliferar na Internet a uma velocidade estonteante. Parece que a noção de mundo de muita gente abalou nos últimos tempos. É teorias conspiratórias para isto, teorias conspiratórias para aquilo. O estranho é verificarmos que a maior parte delas, a maior parte mesmo, fazem todo o sentido e são arrepiantemente factuais. Mais estranho ainda é o facto de as cadeias de Televisão e basicamente todos os outros media compactuarem com uma prática de abafamento, uma abafamento que parece vir desde cima, até às coorporações, que por sua vez usando um processo novo de censura pressionam os media e determinam quase milimétricamente a informação que nos é transmitida. Como sabem, por certo, é a publicidade que molda a programação de conteúdos dos media, e sem publicidade ninguém faz nada. Ninguém faz nada a troco de nada.. Agora que sabemos que o ataque terrorista no 11 de Setembro não passara de um auto-ataque do estado americano promovido pelo gang da família Bush e seus cães raivosos da CIA, com vista a arranjarem um pretexto para atacar, literalmente, o petróleo, e testar o seu armamento, toda a gente parece duvidar de tudo. Ora, que o edíficio 7 nem sequer ardeu, ora que o Pentágono levou com um míssil tele-guiado e não com um Boieng, ora que o outro avião nem sequer caíra. E o engraçado, volto a frisar novamente, é o facto de todas estas teorias fazerem sentido, muito sentido mesmo. Daqui a pouco nem no extermínio de Judeus na Segunda Guerra Mundial nos acreditamos, tal como Ahmadinejad, o presidente do Irão. Parece que já estou a imaginar dentro de uns anitos descobrirmos que as cebolas, na verdade são seres alienígenas que se disfaraçaram de legumes para conquistar o globo, o globo-candeeiro que tenho lá por casa, ou que Tuntakhamon, não passa dos restos de um atepassado do José Cid antes de este ser bonito e antes de ter realizado uma cirugia plástica. Com tantas invenções dos Americanos já nem sabemos no que acreditar.

quarta-feira, agosto 23, 2006

Abrir os olhos

Olá! O meu nome é Ben-Ami Caïm Levi e acabei de nascer. Acho que estou dentro de uma tenda da Cruz Vermelha e como seria de esperar, choro de forma compulsiva, tal como quase todas as crianças quando vêem ao mundo. Uns indivíduos vestidos de verde rodeiam-me progressivamente e depois pegam em mim. Sim, são médicos, enfermeiros e limpam-me enquanto me olham com olhos curiosos. Um deles chega até a levantar-me, contente, no ar e em direcção à luz... a luz... Eu que me sentia tão mais quente e sossegado antes de cá chegar...
Depois de se certificarem que sou um rapaz perguntam à minha mãe, inerte e magra sobre a cama, qual é o meu nome. Mas vocês ouvem mal, ou quê!? Chamo-me Ben-Ami, já disse! Parece que não perceberam, nem sequer para mim olham... Respondem-lhe que é um bonito nome! Dizem sempre isso, é sempre um bonito nome! Não os censuro, estão a tentar ser simpáticos.
Não sei o que vim cá fazer, só sei que tive de nascer, sei também que tenho de morrer, mas antes, fazer aquilo a que chamam viver. Desconheço o motivo porque para cá viera, também não me apetece perder muito mais tempo a pensar nisso.
Dizem que há algo lá em cima chamado Deus, mas neste momento, só consigo ver pessoas, pessoas tais como eu, um pouco maiores é verdade, mas tais como eu.
Dizem que sou um bebé, os bebés são seres pequenos que não pensam. Os bebés são seres muito infantis, brincam, jogam e os adultos riem-se com isso. Os bebés só fazem parvoíces, os adultos não.
Vai demorar algum tempo até eu deixar de ser ingénuo e inocente. Antes que esse momento chegue vou ter de ser uma criança, um adolescente e um jovem. Espero, até lá, ao menos, ter a sorte de não apanhar uma daquelas doenças, que aqui, pelos vistos, são incuráveis. Espero também não levar um tiro, ou mais do que um, ou pisar uma mina anti-pessoal, ou até, levar com uma bomba na cabeça. Também não sei se vou ter roupa e comida. Na verdade não sei se vou ter coisa alguma.
Os adultos são muito inteligentes e sábios, responsáveis, trabalham e fazem coisas sérias como ganhar dinheiro. Quanto mais dinheiro os adultos ganham mais poder e regalias eles têm. Os adultos são religiosos e acreditam em Deus, são conscientes e a maior parte gosta de jogar jogos diferentes daqueles que as crianças costumam jogar. Nem todos os adultos são iguais, os adultos do Sul são fracos e não têm muitas regalias, os adultos do Norte são bons, têm regalias e bombardeiam os adultos do Sul, por causa da raiva que os adultos do Sul lhes têm. Os adultos do Sul são muito pobres, não conseguem deixar de o ser e não querem aceitar o facto, é por isso que lhes têm raiva e os do Norte os bombardeiam.
Os países são associações de pessoas que têm algo em comum. Os países do Hemisfério Norte gostam de bombardear pessoas que tem algo em comum e a televisão gosta de o mostrar e a rádio e os jornais também. A culpa é dos países do Sul, os do Norte são ricos e sabem o que fazem.
Sou Israelita, acho que ainda sou, ouvi dizer na televisão que existem empresas com dinheiro suficiente para alimentar o meu país e outros durante anos, mas ninguém faz nada, mesmo os que se intitulam nossos amigos.
Os Estados Unidos é o país mais rico do mundo e é muito amiguinho do meu país. Já Israel é muito inimiguinho do Líbano e de praticamente todos os países até à Cidade do Cabo. Os amiguinhos ajudam-nos em tempo guerra, nas outras coisas acho que não. Na Antártida vivem animais. Os animais não fazem guerras. A Cidade do Cabo é na África do Sul, na África do Sul existem brancos e pretos, apesar de que alguns tivessem gostado que fossem só ou brancos ou pretos.
As pessoas adultas têm várias nacionalidades, cores e religiões, as pessoas adultas têm inveja umas das outras e querem ser melhores do que as outras, no entanto nem todas conseguem ser melhor do que as outras. Os salários das pessoas adultas variam, para além da eficiência, consoante as nacionalidades, cores, religiões e o hemisfério em que estão. As melhores pessoas do mundo vivem nos Estados Unidos. O salário mínimo nos Estados Unidos por hora é de 5 dólares. O Salário médio dos Etíopes pelo mesmo trabalho durante um mês anda à volta de 5 dólares. Os Americanos são cerca de 150 vezes melhores que os Etíopes. Os Etíopes acham que isso está mal, mas os Americanos não querem saber, eles é que são ricos, eles é que sabem. Os Estados Unidos mandam em todo o mundo, todo o mundo, não quer saber, os Estados Unidos é que são ricos, eles é que sabem.
Os adultos resolvem os problemas com guerras e as guerras matam pessoas, os Estados Unidos vendem e fabricam mais armas que o resto do mundo, o resto do mundo não quer saber e os Estados Unidos também não, eles é que são ricos, eles é que sabem. Os Estados Unidos vendem armas em quase todas as ruas e munições em supermercados, algumas crianças entram nas suas escolas e dizimam muitos dos seus colegas, mas os pais não querem saber, eles estão, ou podem vir a ser mortos, mas eles são ricos.
Os Estados Unidos apoiam muitas causas e vendem armas para os dois lados dos confrontos. A América só intervêm nas guerras depois de os países estarem destruídos, mas os Estados Unidos são amiguinhos e emprestam-lhes dinheiro para a reconstrução a troco de juros baixos e instalando-lhes fábricas, fábricas que pagam os salários conforme a crise do país onde se encontram. Muitos países estão em crise, os Estados Unidos não.
As pessoas dos Estados Unidos e dos outros países ricos merecem ficar com o dinheiro dos pobres. Os Estados Unidos e os outros países ricos merecem ficar com as regalias dos países pobres. Os adultos dos Estados Unidos e dos outros países ricos merecem ficar com a felicidade dos adultos pobres, eles é que são ricos eles é que sabem. Eles é que são ricos eles é que mandam.
Os Estados Unidos é a nova Europa, os Americanos são todos estrangeiros. Os Árabes criam organizações terroristas para derrubar o regime capitalista. O Regime capitalista surgiu na Inglaterra, França e Estados Unidos. Os Estados Unidos mandam no regime capitalista e ele impera em todo o mundo, menos nos países Árabes e Comunistas. Os Americanos não gostam de Árabes e Comunistas e os Americanos bombardeiam-nos. Quem começa os conflitos geralmente são organizações terroristas. Quem vende armas às organizações terroristas geralmente são países capitalistas.
Os Americanos, a Europa, o Japão, a Coreia e a Austrália poluem o mundo por uma boa causa - poluem o mundo para gerar mais dinheiro e o dinheiro consegue comprar e vender coisas, o dinheiro compra e vende até as pessoas e os seus órgãos. Os Americanos são boas pessoas! Os Americanos olham pelo resto do mundo e pelos seus, até aqueles que morrem pelos problemas impostos por si.
Os países capitalistas investem mais na guerra do que em solidariedade, investem mais em carros ligeiramente diferentes dos anteriores do que em solidariedade. Os países capitalistas produzem veículos com capacidade para ultrapassar os limites de velocidades impostos por lei. Uma das principais causas de morte da actualidade são os acidentes rodoviários. Os Estados Unidos gostam de petróleo. O petróleo é usado nos carros. Os carros estão quase todos no Hemisfério Norte. O Petróleo está quase todo no Hemisfério Sul.
Os Árabes não gostam de Cristãos e querem dizimá-los por serem de outra religião. Os brancos e os pretos criam associações para se combaterem fisicamente entre si. Os ricos criam etiquetas para se destacarem e menosprezarem os pobres. Os ricos são chiques. Os pobres são fracos e vivem quase todos no Hemisfério Sul. Os Ricos são melhores que os pobres. As pessoas do Hemisfério Norte por serem melhores que as do Hemisfério Sul devem viver mais tempo. A Europa em tempo de crise deve ser ajudada, a África e a América do Sul não. A América do Sul e outros países da África tentam superar a pobreza cultivando droga e actividades ilícitas que prejudicam principalmente as pessoas do Hemisfério Norte. É estranho Hugo Chávez e Fidel Castro odiarem os Estados Unidos. Pessoas de certos países não podem entrar em certos países, mas outras pessoas de certos países podem entrar em certos países. Pessoas das classes sociais mais baixas não podem, por mérito, tornar-se em pessoas de classes sociais mais alta. Os Estados Unidos acham que isto está certo. O resto do mundo capitalista também. Os países do mundo capitalista são quase todos ricos, menos alguns. Para haver ricos tem de haver pobres. Para haver multi-milionários tem de haver pobreza absoluta, fome e miséria. Uns tem um milhão outros tem um cêntimo. Os Estados Unidos mandam e acham que isso está certo.
Os Israelitas invadiram um país e roubaram-nos aos Palestinianos e é estranho os Árabes estarem irritados com isso.
Continuo a chorar, os médicos estão surpreendidos por não ter ainda adormecido. Alguns adultos estranham o facto de a primeira coisa que os bebés fazerem aquando do seu nascimento ser chorar. Ainda me falta muito tempo para ser adulto. Na verdade nem sei se vou ser adulto, tinha-me esquecido que moro no Hemisfério Sul. O meu nome é Ben-Ami Caïm Levi e acabei de nascer, não sei o que vim cá fazer, só sei que tive de nascer, sei também que tenho de morrer, mas antes, fazer aquilo a que chamam viver.