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merda no sapato: Abril 2007

terça-feira, abril 24, 2007

Modas

Num anseio de estar mais na moda e mais de acordo com os padrões de comportamento da maioria, e numa tentativa de tentar agradar mais a minha amada, mudei um pouco de estilo de roupa. Calças de ganga para começar. A decisão foi um bocado difícil, principalmente porque todas as que via pareciam ser oriundas da Indonésia da fase pós-Tsunami. Quase todas estavam rotas ou esburacadas. Aquilo fez-me uma enorme confusão e estive inclusivamente para ligar à DECO, mas quando marquei o 118 a perguntar o número, a mulher do atendimento insultou-me e disse que a DECO não era uma DECO, mas sim um DECO, e que não tinha acesso a números de Espanha, muito menos de jogadores de futebol.
Já a empregada apesar de também nunca ter ouvido das instituição pediu-me para não agir de forma impulsiva e acalmar a minha raiva. Segundo ela esta é a nova tendência entre os jovens e não estava a ser uma charlatã. Acalmei-me ao ver os homens na loja e a forma como se vestiam, mas confesso que a sensação de estranheza não se dissipou.
Sinceramente acho que este novo movimento se deve à fúria do anúncio da Coca-Cola Light. Os trolhas ao que parece têm uma vida sexual activa. Ser constructor civil é Kitsch e acho que até consigo prever a próxima tendência: Calças borradas com tinta e nódoas, a maior parte aparentando ser esperma.
Eu já estou a tratar disso. Gosto de estar à frente de tudo.

Pois, mas se calhar não é bem assim

Às vezes ponho-me a pensar como seria se não pensasse, e é nessas alturas que penso que talvez fosse melhor parar de pensar em coisas estúpidas. Mas, o que é verdade é que se eu não pensasse vocês não estariam a ler o que estou a escrever. Eu parto do princípio que se vieram para aqui ler o que vim escrever é porque querem saber no que eu estou a pensar. E, mais uma vez, se querem saber no que eu estou a pensar é porque já estão cansados de pensar por vocês próprios, ou não têm nada de interessante para fazer.
Acho que o problema se resolveria simplesmente se nos limitassemos a não pensar. É por isso que acho que tanto eu como vocês são estúpidos.
Era só para dizer isto.

sexta-feira, abril 13, 2007

Ora bem,


O que se passou nestes últimos dias? Tanta coisa e tão coisa nenhuma! Sócrates viu a sua credibilidade ser posta em causa por causa do diploma universitário, ou como vocês lhe quiserem chamar. O motivo quase toda a gente o sabe, assim como certamente saberão que Sócrates dificilmente será o único político em condições semelhantes. Não me refiro ao penteado lindo, mas sim a burla e a compra de cadeiras da faculdade.
A corrupção e o amiguismo são uma modalidade desportiva dos tempos modernos, que tal como as modalidades desportivas, têm regras a ser quebradas. Quem estuda ou estudou no ensino superior certamente conhece o sistema "lambe-botas" que funciona por detrás das notas. Isso e o sistema de grau de parentesco, e até o do favorecimento sexual. É um longo processo que se arrasta até ao mundo profissional. Sinceramente, desconfio que das poucas pessoas que não passaram por ele terá sido a Odete Santos. Isto mesmo apesar de ela ter querido se partilhar a si mesma qual boa comuna.
Chamam-me muitas vezes pessimista. De facto sou pessimista, mas os meus detractores enganam-se na escolha da palavra. Quando me chamam pessimista chamam-me por eu ser péssimo, mas o adjectivo está errado e não é isso que ele significa. O objectivo está correcto, mas o adjectivo não. Devia dar-me com gente mais culta. De qualquer forma confesso que sou pessimista. O mundo em que vivemos está cada vez mais estranho. Pareço ver uma onda com uma tendência cada vez mais descendente. Eu sei que não devia estar a escrever este texto no mar, até porque estou a apanhar alguns choques eléctricos, mas isto é bom para despertar a mente. Não consigo deixar de me tentar por estas modernices do wireless e aposto que esse foi igualmente o espírito dos soldados britânicos na sua visita às águas territoriais do Irão. Eles não conseguíram deixar de ceder à tentação de estarem na água dentro de um barco. É simplesmente genial: um barco dentro do mar. Quem se iria lembrar de tal coisa? Estes Ingleses...
É uma experiência enriquecedora navegar em águas radioactivas povoadas por peixes que consoante o vento se tornam ora vermelhos, ora azuis. No entanto, ninguém me convence que tudo isto não passou de uma jogada de Tony Blair. Um plano sádico de atirar os peixinhos aos tubarões, de forma a serem capturados e de preferência comidos a sangue frio. Seria uma óptima forma de despoletar mais ainda a raiva e o medo ao povo Persa, para que de seguida se os Ingleses os pudessem atacar.
Enfim. Tirando isso a minha Páscoa correu bem, foi pena foi ter acabado tão cedo. Dificilmente algum dia me irei esquecer desta Páscoa. O motivo pelo o qual não me irei esquecer talvez seja o de todos os anos ter feito exactamente a mesma coisa, mas o que é verdade é que aquele Barbecue na sexta-feira santa e aquela sessão de cinema no domingo em minha casa onde eu e os meus amigos vimos “A vida de Brian” dos Monty Python, foram daquele tipo de momentos em que uma pessoa se sente bem e se sente acompanhada nesta constante estranheza a que chamam de vida.
Nunca em tempo algum desejei tanto ser caçador. Um caçador de coelhos, de preferência. Ou então de pessoas, também serve. Faz-me confusão o que é que coelhos têm a ver com a festividade da Páscoa, e faz-me confusão o chocolate, os restaurantes e a própria cerimónia em si, que mais não deveria ser do que uma actividade pagã, como inicialmente o era no passado distante - uma devoção ao sol, esse deus tão grande e tão brilhante que custava só de olhar para ele - talvez o mesmo deus que aparecera diante de Moisés no Monte Sinai, aquele a quem ele preferira nem sequer mirar (talvez para não ficar cego e definitivamente louco, tendo em conta que já lhe bastaria ouvir vozes na cabeça.)
A religião cristã acredita na vida depois da morte, acredita na ressurreição, tal como aconteceu com Cristo. Acho bom que isso aconteça, pois é a melhor forma de lidarmos com os nossos problemas quando estamos em fases más, e a melhor forma de ganharmos fé e esperança até que as coisas voltem a ficar de feição.
A crença na transcendência, de certa forma, revela um pouco a surrealidade com que vivemos os nossos dias. Sendo a ficção geralmente muito mais fantástica que a realidade, não creio que de alguma forma possa ser mau acreditar-se na vida depois da morte. Pelo menos para pessoas não-suicidas. Hoje, ao contrário da lógica que um raciocínio normal ditaria, ninguém se acredita na morte depois da vida, hoje acredita-se na vida depois da morte e é talvez por isso que temos sido tão inconscientes e tão egoístas nos últimos tempos. Deve ser por isso que violamos tratados de Quioto e poluímos o mundo como se um gigantesco aterro sanitário se tratasse.
No domingo saí com os meus pais, algo que já não fazia há algum tempo. Fui ao Porto. Gostei, vi algumas pessoas com dentes. Talvez a única coisa má que me lembro foi o mau tempo. Num espaço de dois dias foi do frio, para o calor infernal, do céu descoberto para o céu nublado para chuvas quase torrenciais. Terá S. António, advogado e senhor do tempo, tido a intenção de se revelar democrático na distribuição das situações climáticas, consoante gostos de cada um? Ou estará o mundo a acabar? Sim, deve ser isso. E já agora, obrigado, senhor.
Não vejam em mim um espírito suicida, mas antes uma vontade solidária para quem tem um espírito suicida, e uma ténue e subtil esperança de encontrar uma melhor vida num estado existencial embutido de transcendência.

terça-feira, abril 03, 2007

"Ai Portugal, Portugal... de que é que estás à espera?"

Esqueço-me sempre do que vinha para aqui escrever... últimamente não tem havido muitos temas interessantes para falar. Sou sempre obrigado a discursar sobre as minhas cócegas no escroto e isso normalmente cria um sentimento de repulsa e desconfiança dos outros para comigo. Como devem saber, o meu sonho sempre foi ser escritor, quer dizer, sempre, a partir do momento em que tive essa ideia. É uma ideia estúpida, tal como muitas outras, em Portugal, em que o único trabalho que à nascença temos garantido é o de arrumador de carros.
Em Portugal arrumador de carros, é carreira garantida. O dinheiro que se pode obter com a actividade é muitas vezes superior ao ordenado mínimo e há ainda a vantagem de não se ter de aturar patrões nem realizar um esforço por aí além.
Admira-me que não haja um curso superior da arte da arrumação dos carros, quando existem tantos cursos desnecessários no país. Aqueles tiques gestuais, o jornalinho na mão, os gestos oscilatórios, metódicos, ora destorcendo para a direita ora destorcendo para a esquerda, necessitavam de ser ensinados, é uma enorme falta de respeito para com uma actividade tão nobre. Com a confusão nos estacionamentos não podemos dar-nos ao luxo de dispendermos destes serviços.
Queria propôr à Universidade Independente, que tem sido tão clarividente e tão boa a formar trolhas e primeiros-ministros e por vezes até os dois ao mesmo tempo, que comece a leccionar o curso. Mas por favor, não leiam aqui um tom de desprezo no meu texto, não tenho nada contra os trolhas, tenho tudo a favor dos trolhas, e reparem que digo trolhas em vez de constructores civís, o que não gosto particularmente é de primeiros-ministros. Eles não se sabem governar a si mesmos, quanto mais a um país, é só falsas promessas, contradições, estúpidas construcções.
O nosso país está podre a todos os níveis, Portugal está cheio de escritores, cheio de Margaridas Rebelo Pinto, políticos, gente com tachos, com tréns de cozinha, gente sem ideias, ou só com a ideia fixa, em cabeças provavelmente fixas com rascas colas, de ganhar dinheiro, mais dinheiro e mais dinheiro.
Portugal não passa de um importador, Portugal está cheio de escritores, guionistas, cantores que copiam ideias de outros, programas de televisão e novelas espanholas, brasileiras. Conteúdos sem nada de novo, iguais a outros, a horas a iguais às outras. O nosso país é como um papel químico de má qualidade do que de mais hediondo se faz lá fora. Tirando alguns exemplos refrescantes, tudo o resto é um longo e extenuante deserto. Marrocos é já ali ao lado e ao menos eles têm tapetes bonitos.