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merda no sapato: Janeiro 2007

terça-feira, janeiro 02, 2007

Um contentor chamado África

É sabido, creio, que por muita gente, que o continente Africano é uma espécie de ovelha negra planetária. O que pouca gente sabe, pelo menos assim espero, para não ficar deprimido, é o nível a que a coisa alcança.
Vítima de testes medicinais por parte das farmacêuticas, testes que nem sempre correm bem, os Africanos sujeitam-se a um estado miserabilista que roça os piores cenários traçados mesmo para o Inferno. Uma forma de ficar bem elucidado sobre o assunto, apesar de ficção, é ver o filme "O Fiel Jardineiro".
Faz-se deles autênticos ratos de laboratório, até que os medicamentos sejam considerados aptos para serem usados no mundo Ocidental. É doentio.
As farmacêuticas só lucram se houverem doenças, novas e epidémicas de preferência. Uma nova invenção, um contrato ou uma patente podem significar milhões, biliões, triliões. Espero que estas doenças não sejam, tal como os vírus informáticos o são, criados pelos humanos, e neste caso, pelas empresas de fármacos. Quem cria um vírus sabe também criar um antídoto. Era um negócio fácil, terrivelmente fácil e é por isso que defendo que estas empresas deveriam ser nacionalizadas, e posteriormente fundidas numa única empresa global. Era a melhor forma de se acabar com os interesses financeiros que estão por trás delas e inserir ao mesmo tempo um pouco de ética. Ademais os salários dos investigadores deveriam ser fixos, com fiscalizadores de produção e os gastos suportados pelos contribuintes que assim teriam acesso gratuito aos medicamentos, em caso de confirmação de patologia pelos médicos. O estímulo e a motivação para o avanço científico seriam logrados através de bónus qualitativos, dando o nome do inventor ao medicamento, por exemplo.
Outra coisa que pouca gente deve saber é que África deverá ser provavelmente o maior importador e colector de lixo. Sim, de lixo leram bem. O mundo ocidental vende literalmente lixo para o Hemisfério Sul, degradando ainda mais, as já fracas condições de vida sub-saarianas. Os resíduos tóxicos armazenam-se em campo aberto, proliferando doenças e miséria. É um truque de gestão, África recebe dinheiro que tanto precisa, Europa e América livram-se da poluição e acabam com a maldição dos números das estatísticas.
Os ocidentais poluem para ganhar dinheiro, livram-se do lixo e passam a batata quente... e ocra exactamente a quem tem menos a ver com o problema.
«Falam-nos de mundialização, de aldeia global, mas nós, em África, temos a impressão de que somos apenas a fossa séptica da aldeia», declarou à AFP o militante ecologista senegalês Haidar El Ali, responsável por um centro de mergulho em Dakar.