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merda no sapato: Julho 2007

terça-feira, julho 17, 2007

O Senhor Javali

Olvidar senhor Javali é coisa que não me passa pelos planos. Senhor Javali era musculoso, ágil, inteligente e tenaz. Há quem diga que já nos seus tempos de juventude lia Kierkegaard, Nietchze, Voltaire e Baudelaire. E quando o fazia, fazia-o com savoir-faire.
Apesar de culto e de uma ostentada e reconhecida nobilidade, possuia pêlos escuros e agrestes espalhados caoticamente por todo o corpo, fazendo-o parecer um simples vulgo pacóvio e de uma pequena aldeia.
Se não se lhe sentia penugem era porque não era um pássaro - pensava e bem quem o dizia, pensa ainda e bem quem voltou a pensar mais afincadamente sobre o assunto.

O Senhor javali tinha um problema, era um javali e não um senhor. As pessoas que lhe chamavam dessa forma eram estúpidas, pois não conseguiam distinguir um javali de um homem.
Uma dessas pessoas, o tipo que me contou esta história foi internado num hospital psiquiátrico. Para minha felicidade está lá há 4 meses e não parece sair tão cedo. Não que isso seja chamado para o caso, mas actualmente tenho sexo com as três irmãs dele, e dantes era ele que tomava conta do assunto, isto apesar de vagamente me fazerem lembrar canos de escape, nas alturas em que enfio nos óculos a cara.
Mas é do Senhor Javali que venho falar.
O Senhor javali apesar de tão somente ser um javali tinha hábitos comuns aos mais comuns dos homens comuns que eram parecidos com javalis comuns. Talvez seja essa a confusão. Apesar de paradoxalmente partilhar com os restantes, algumas das mais essênciais e ancestrais particularidades, entre quais necessidades básicas da alimentação e procriação o Javali, tal como o Senhor Javali, é um animal incomum e diferente de um homem.
A palavra Javali deriva do árabe, língua de um povo sábio e sincero que fazendo largas à sua, por vezes, grande estupidez o cataloga como porco montanhês. No meu último estudo estive na Serra, muitos porcos vi e nenhum deles era javali, mas sim gente pobre, humilde e badalhoca como qualquer outra qualquer que por um motivo ou por outro não toma banho. Não gosto das definições minimalistas do povo árabe, isto apesar dos vários méritos de algumas das suas descobertas científicas.
Os javalis são javalis e os porcos da montanha são porcos da montanha.
Dizem que a solidão ensandece. Foi este motivo que me levou a estudar gentes serranos do campo, e foi esse o motivo que colateralmente me levou a conhecer javalis, animal nobre, ligeiramente sujo por baixo e distinto das gentes ermitas do campo. Tudo ocorreu por altura de uma briga com o chefe de família que na altura me acolhia na sua casa por altura das minhas investigações. Era um filho único de um único pai falecido, um pai de família sem filhos, solteiro e mau rapaz.
As intermitências e o corromper dos meus planos e o correr do tempo obrigou-me a fugir para esverdeadas vegetações vizinhas. E foi aí para meu gáudio que passei a mais selvagem e quente noite da minha vida, juntamente com Senhor Javali. É esse o motivo que me leva com tanto conhecimento de causa a falar dessa espécie, essa espécie que tanto louvor me suscita.
O javali passa grande parte do dia fossando a terra em busca de plantas e animais, e torna-se furioso quando perturbado. Tem uma cabeça relativamente grande, triangular, e boca provida de grandes e brancos caninos. É um animal omnívoro, com preferência por vegetais. Pesa entre 130 e 200 kg e mede entre 125 e 180 cm de comprimento para cerca de 100 cm de altura. O tempo de vida médio é de cerca de 20 anos.
Após a satisfação sexual agradece esvaziando o intestino com um portento de 5 a 10 kgs de excremento em cima do seu parceiro. Pelo menos é o que gosto de pensar, pelo menos depois de ter bebido aquelas 4 garrafas de brandy e agora que tenho este novo andar.